QUEM SOU: um perfil

Lauro Moreira por  Siron Franco

Lauro Moreira por
Siron Franco

Em Recital de Poesia

Em Recital de Poesia

O Embaixador em Lisboa

O Embaixador em Lisboa

 

 

 

 

Em vez de postar um curriculum  vitae, cedo a palavra ao jornalista brasileiro Renato Mendes, residente então em Lisboa (2008), que depois de longas entrevistas comigo e de ouvir algumas personalidades portuguesas e brasileiras, produziu este generoso Perfil de Lauro Moreira que abaixo transcrevo:

                          PERFIL DO EMBAIXADOR LAURO MOREIRA 

A DIPLOMACIA COMO MEIO DE IRRADIAÇÃO CULTURAL

É autêntico afirmar que em Lisboa, talvez em Portugal, o embaixador brasileiro e homem de cultura, Lauro Moreira, seja o principal difusor da cultura brasileira, através de projetos próprios e de iniciativas com a chancela da Missão do Brasil junto a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). 

Por Renato Mendes*

É de um gabinete com uma ampla janela voltada para a parte baixa da cidade, no último andar de um dos edifícios da Avenida da Liberdade, em Lisboa (Portugal), que o embaixador Lauro Moreira alinha estratégias culturais e diplomacia. Além \das 94 embaixadas que o Brasil possui pelo mundo, existem sete missões junto a organismos internacionais,  e a Missão do Brasil junto à CPLP é uma delas. A frente da Missão desde sua criação, em 2006, o embaixador Lauro Moreira chefia uma Embaixada  multilateral, diferente da Embaixada do Brasil em Portugal, que trata exclusivamente das relações bilaterais entre os dois países. Responsável por uma equipe de 16 elementos, alguns do corpo diplomático brasileiro, outros  contratados a partir da capital portuguesa, é tratado pela equipe por “Embaixador Lauro”.

“Pareceu sempre um homem de grande cultura. E eu fiquei muito satisfeito quando o nomearam para embaixador junto à CPLP. O que foi uma grande distinção que o Lula fez, e muito merecida aliás para a CPLP, porque significou que o Lula tem uma percepção que os outros (presidentes brasileiros) tiveram menos”, saúda a nomeação do embaixador Lauro Moreira, o ex-presidente português Mário Soares. Foi em um encontro em Tóquio, no Japão,há mais de dez anos, que o ex-presidente conheceu o embaixador, no âmbito de uma das reuniões da Comissão dos Oceanos, onde o Brasil participava a convite do próprio Mário Soares. “O Lauro é um homem muito sério.”, afirma Ivan Junqueira ex-presidente e atual secretário-geral da ABL (Academia Brasileira de Letras), que em 2007, esteve em Lisboa participando de conferências em ocasião das comemorações do centenário da morte do escritor brasileiro Machado de Assis, do qual o embaixador foi sempre um grande entusiasta e um grande divulgador.

Lauro Moreira é discreto, de atitude ponderada e imagem circunspecta. Em seu gabinete vêem-se elementos que ilustram os dois lados de sua vida profissional: a cultura e a diplomacia. Nas paredes estão pinturas e gravuras; pequenas esculturas e livros permanecem organizados sobre o móvel, que fica abaixo da ampla janela, parecendo sustentar a calma paisagem lisboeta. Ao seu lado direito a bandeira brasileira, na parede oposta à janela, um retrato do Presidente da República de seu país, Luis Inácio Lula da Silva. Sua secretária, Josely de Oliveira, que o conhece há quase vinte anos, descreve-o como “um chefe amigo e sempre de portas abertas”. A cordialidade com que trata as pessoas que o cerca deve-se em parte à diplomacia, carreira que iniciou em 1965 como Terceiro Secretário, mas são aspectos pessoais do passado que o qualificam.

Lauro Moreira nasceu na cidade de Anápolis, em 1940, mas viveu a primeira infância com os  pais em Itaberaí, município de Goiás. Ele sintetiza sua infância: “Tive uma vida muito feliz e tranquila, com uma família grande. Sou o filho e o neto mais velho”. Seu avô materno foi um grande latifundiário, enquanto o avô paterno era pobre, o que fez com que seu pai enfrentasse condições financeiras difíceis até completar os estudos. “O homem mais admirável que eu conheci na vida”, expressão da grande admiração que Lauro sente por seu pai, Nicanor de Faria e Silva, que foi fonte de inspiração para as suas opções de vida. Assim como seu pai, estudou advocacia, mas diferente dele, que seguiu a carreira política, Lauro optou pela diplomacia e cultura. Sua mãe era extremamente integrada na família, chamava-se Honorina Augusta Barbosa e Silva e era dona de casa. O casal teve quatro filhos, dois homens e duas mulheres, tendo a mais nova falecido aos 14 anos, em 1966.

“Tenho a impressão que só pelos 18 ou 20 anos comecei a me dar conta de que aquilo que eu tinha em casa, aquela harmonia e perfeição absolutas, era quase uma exceção no mundo. Havia uma convergência enorme de almas”. A condição privilegiada da infância vivida por Lauro definiu traços em sua personalidade, que são perceptíveis no presente. Com 62 anos de idade seu pai morre no Rio de Janeiro, vítima de hepatite. Após poucas semanas sua mãe morre pela mesma causa, quando Lauro tinha 28 anos. A convergência de almas a que Lauro se refere, talvez, e sobre um olhar místico, possa explicar o fato de terem morrido em datas tão próximas.

Lauro era uma pessoa religiosa, herança da família, mas também devido a sua formação, pois estudou em colégio franciscano, dominicano, salesiano, beneditino, marista e por fim jesuíta, nas cidades de Anápolis, Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro.

A viagem para São Paulo e os primeiros contatos com a cultura 

Com dez anos de idade viajou para São Paulo para estudar, instalando-se na casa da irmã de seu pai, casada com um português, o único estrangeiro que havia na família, o “tio Monteiro”, muito ligado a Lauro. Neste momento o embaixador para por alguns instantes, como se estivesse reorganizando os eventos representativos em sua memória e dá uma data: “28 de Fevereiro de 1950; chego ao colégio interno de São Bento, naquele ambiente de São Paulo, que era uma coisa estranhíssima, com quatro climas diferentes por dia”. Mesmo que Lauro afirme que seu sotaque não possa ser reconhecido – já que desde muito cedo habituou-se a passar longas temporadas vivendo em diferentes países e cidades do Brasil – mesmo assim, a emoção que emerge do exercício de rememorar torna perceptível o seu sotaque de goiano. O tom de sua voz reflete e expressa emoções.

“A primeira lição da minha vida: percebi logo que sou brasileiro de dentro para fora, e não de fora para dentro. Sempre aprendi a ver o Brasil a partir do seu interior, do seu núcleo”, comenta Lauro, relembrando quando teve contato, ainda criança, com a falta de conhecimento dos paulistas a respeito de sua cidade natal, logo que chega a São Paulo. Isso aconteceu quando a mãe de outro estudante perguntou a Lauro: “ De onde ? Goiânia? Mas como é que você fez para chegar aqui, meu filho, vindo de tão longe?…”. Em oposição ao vazio de informações que os habitantes dos centros em crescimento acelerado da década de 50 – São Paulo e Rio de Janeiro – tinham do interior do país, Lauro diz que o inverso não acontecia, pois em sua terra natal e em sua família as referências das grandes cidades eram sempre presentes: “Esse era o Brasil daquele tempo, em que você tinha o litoral, onde estava concentrado o progresso, e você tinha o vazio lá para dentro. Mas um vazio que obviamente só existia aos olhos dos habitantes do litoral.”

Lauro Moreira estudou em colégios tradicionais de São Paulo, como o São Bento e o Arquidiocesano, onde o estudo era puxado e a disciplina rígida. Durante esse período de cinco anos, retornava a Goiás para re-encontrar a família somente nas férias escolares. Nessa época, a diversão de Lauro era o cinema, “Meu caro, São Paulo tinha 220 cinemas, os mais luxuosos que você possa imaginar: Cine Marrocos, Art Palácio, Metro, Ópera, aquele outro que só passava filmes franceses  (não recordo o nome), o Bandeirantes, o Marabá, o Ipiranga… Eu saía aos  domingos e já  ía para o cinema às 10h, na sessão matinal do Cine Avenida, um pulgueiro (como então se dizia) na Avenida São João, especializado em bang-bangs”.  O gosto de Lauro pelo cinema ainda permanece na memória de Mônica Moreira, uma de suas duas filhas, produtora cultural no Rio de Janeiro: “Lembro-me bem do enorme trabalho artesanal que o meu pai tinha com a montagem e sonorização de seus filmes em Super 8mm”.

A independência, a afirmação e o sentido de responsabilidade foram desenvolvidos precocemente na personalidade de Lauro. Além do cinema já consumia também literatura, a partir dos onze, doze anos: os livros de José de Alencar, como “Iracema”, “Ubirajara”, e “O Guarani”, o marcaram muito, bem como um novela de Charles Dickens, e vários romances de Emílio Salgari.

O teatro e a literatura no Rio de Janeiro 

Em 1955, seu pai é eleito Deputado Federal. Naquele tempo a capital do país ainda era o Rio de Janeiro; a família toda muda-se para a cidade. Lauro passa a estudar no colégio jesuíta Santo Inácio, “já adulto, com 15 anos”, como afirma. Neste colégio tradicional teve como colegas de turma ou como contemporâneos, os cineastas Cacá Diegues e Arnaldo Jabor, o músico Edu Lobo, entre outras personalidades que fizeram nome na cultura e nas artes. A partir desse tempo, começa a dedicar-se também ao teatro, a princípio como ator , no colégio, depois também como diretor, em grupos amadores, como o Teatro da Juventude, a Equipe de Teatro do Rio de Janeiro, e o Teatro da Cidade. Chegou a montar mais de trinta espetáculos, ao longo de sete anos, com obras que iam de Molière a Tchekov, de Tenessee Williams a Guimarães Rosa e Millor Fernandes.

Nesse período dedicou-se também à literatura, publicando artigos e contos em um pequeno jornal que dirigia e em jornais de sua terra natal. Presidiu por três anos a Academia de Letras do Colégio Santo Inácio, em que tinha por patrono Machado de Assis, paixão literária que nunca mais o abandonou. O embaixador afirma que tem muito mais do que admiração pelo autor de D. Casmurro: “Tenho um carinho muito especial por ele. Machado me faz bem à alma, mesmo a despeito de seu ceticismo por vezes corrosivo. Me comunico com ele profundamente, até hoje”.

Esta relação intensa com a obra de Machado fez com que Lauro Moreira o divulgasse ao máximo em Portugal, especialmente promovendo, em 2008, uma série de eventos, seminários e colóquios  em comemoração ao bicentenário da morte do autor brasileiro. Elda Alvarez, diplomata e conselheira cultural da Missão do Brasil junto a CPLP, enaltece o esforço de seu Chefe na promoção da literatura brasileira: “Achei importante a promoção de Machado, pois desta forma o público não especializado e as editoras foram sensibilizados. O embaixador conseguiu fazer com que Machado de Assis se tornasse muito mais conhecido em Portugal”.

Aos 17 anos Lauro Moreira entra para a PUC/Rio  e cria o TEPUC (Teatro Experimental da Pontifícia Universidade Católica), onde monta dez peças, enquanto cursa Direito. Neste período também se engajou no jornalismo estudantil e exerceu a função de diretor do jornal “A Voz da Juventude”. Publica um artigo com o título “A mudança da Capital”, em sintonia com o projeto do Presidente Juscelino Kubitschek, de transferir a capital para  Brasília. Concluiu a Faculdade de Direito com 22 anos. Gostava do Direito acadêmico, mas não de exercer a advocacia, sobretudo no forum “irrespirável” do Rio de Janeiro, onde ainda trabalhou por um período como estagiário. Nesta fase de transição profissional e pessoal, ainda cogitou seguir a carreira do palco, inclusive projetando a criação de um escola de teatro em algum ponto do Brasil, mas assim como a possibilidade de seguir a advocacia, esta também foi posta de lado.  A advocacia e o teatro deram lugar ao Itamaraty, ou Ministério das Relações Exteriores.

Lauro Moreira forma-se em Direito no dia 18 de dezembro de 1962, dia do aniversário de seu pai. Dois dias depois, realizava a primeira prova para o acesso ao Curso de Preparação para a Carreira de Diplomata, no Instituto Rio Branco. Aprovado já nessa primeira tentativa, durante dois anos estudou para se tornar um diplomata, concluindo o curso em 1964 e sendo nomeado Terceiro Secretário em seguida. Casa-se em janeiro desse ano com a jovem e já premiada escritora e poetisa Marly de Oliveira, sua primeira mulher, tendo o casal,como padrinhos de casamento, Clarice Lispector, Manuel Bandeira e Juscelino Kubitschek.

Quando entra para o Itamaraty, Lauro inicia os seus trabalhos na Divisão da Europa Oriental e no Grupo de Coordenação do Comércio com o Leste Europeu/COLESTE. A transição entre sua vida anterior de universitário dedicado às artes e a nova vida diplomática, como reflete Lauro Moreira, pode não ter sido uma ruptura, mas sim o acesso a novas oportunidades. Além disso, diz ele, é preciso lembrar que  “o Itamaraty sempre foi um lugar de muitos artistas. Qual o maior romancista do século vinte no Brasil? Chama-se João Guimarães Rosa e era diplomata  (curiosamente o Rosa nasceu no ano em que morreu Machado) –  génio com quem tive o privilégio de privar. Quem foi um dos poetas mais originais da literatura em língua portuguesa? João Cabral de Melo Neto, que era também diplomata de carreira.”

Foi na capital argentina, Buenos Aires, que o jovem Secretário Lauro Moreira teve seu primeiro posto diplomático no exterior, em 1968, onde permaneceu por quatro anos como Cônsul Adjunto do Brasil. De lá, foi removido para a Delegação Permanente do Brasil junto aos Organismos Internacionais, em Genebra. Em 1974, é convidado para assumir a Chefia da Assessoria Internacional do Ministério da Indústria e do Comércio e do Conselho Nacional do Comércio Exterior – CONCEX, em Brasília, onde permanece até 1978.

“Já estive inclusive no setor privado, outra coisa muito rara na vida de um diplomata brasileiro”. Quando ocupava a chefia da Assessoria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, em 1981, o então Conselheiro Lauro Moreira deixou o Itamaraty por um período de dois anos e meio, em licença para tratar de interesses particulares, e passou a dirigir uma trading company em São Paulo. Não satisfeito com as orientações da empresa, Lauro Moreira decidiu abrir sua própria consultoria em comércio exterior, a Lauro Moreira & Castro, em sociedade com o seu primo Reginaldo Oscar de Castro, advogado e depois Presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O embaixador descreve esta transição como “um salto no escuro”, pois a  estabilidade financeira foi relegada a segundo plano. Com 17 anos de carreira  pública, o momento de decidir entre a via empresarial e a da diplomacia se aproximava. A oportunidade de retornar ao governo aconteceu em 1983, com um convite para ser o chefe da área de política comercial da Embaixada brasileira em Washington, onde morou até 1987.

Projetos culturais 

Projetos ligados à cultura e à arte permeiam a carreira de Lauro Moreira. O projeto musical “Solo Brasil” foi por ele criado em 1992, quando estava  como Cônsul-Geral em Barcelona. O espetáculo, um panorama contextualizado da melhor música feita no Brasil ao longo do século vinte, foi então apresentado em 22 cidades espanholas, com imenso sucesso, por um grupo de músicos brasileiros residentes na Espanha e reunidos pelo embaixador Lauro. A partir de 1999, já como Diretor do Departamento Cultural do Itamaraty, o embaixador aperfeiçoou  o projeto, mantendo o mesmo formato musical e didático,  mas contando agora com um novo e brilhante conjunto de músicos residentes no Brasil. O novo Grupo Solo Brasil já viajou por 20 países e mais de 40 cidades brasileiras, sempre com o mesmo êxito.

A literatura e a poesia sempre estiveram presentes na vida do embaixador. Em 1997, grava o seu primeiro CD, “Mãos Dadas”, em que interpreta 85 poemas de 28 poetas originários de todos os países de língua portuguesa. O título “Mãos Dadas” foi extraído de um conhecido poema homónimo  de Carlos Drummond de Andrade. A capa do álbum duplo de CDs reproduz uma gravura criada por sua filha mais nova, Patrícia Moreira, que é artista plástica e vive hoje em Nova Iorque, casada com o fotógrafo brasileiro Adriano Fagundes.

Uma oportunidade única acontece no ano de 1967. Lauro Moreira grava em seu apartamento em Botafogo, no Rio de Janeiro, o poeta Manuel Bandeira, seu amigo e padrinho de casamento, declamando seus próprios poemas. Na época o poeta tinha 81 anos, Lauro 27. Em 1968, quando este se encontrava em seu posto diplomático em Buenos Aires, Bandeira morre no Rio de Janeiro. Passados 36 anos a gravação dos poemas ditos por Bandeira volta a ser ouvida por Lauro, num antigo gravador de rolo de uma rádio no Marrocos, onde ele se encontrava como Embaixador do Brasil.  “ Naquele momento, me transportei para aquela época distante. Foi algo muito forte o que eu senti e continuo sentindo até hoje”, descreve a emoção quando ouviu a voz de Manuel Bandeira, após mais de três décadas. De volta ao Brasil, lança o CD “Manuel Bandeira : O Poeta em Botafogo”, composto por 26 poemas na voz do próprio Bandeira, e outros, do mesmo autor, lidos por Lauro. A música de Camargo Guarnieri intercala momentos do CD. O seu lançamento aconteceu em 2005, com recitais na Academia Brasileira de Letras, em São Paulo, em Brasília e em várias outras cidades do país.

Marly de Oliveira foi a primeira mulher de Lauro Moreira. Anos depois, casou-se com sua atual mulher, Liana Lys, de Ribeirão Preto. De formação erudita e família tradicional de Campos, RJ,  Marly de Oliveira publicou em vida 17 livros de poesia. Grandes nomes da literatura brasileira, como Carlos Drummond de Andrade, António Houaiss e João Cabral de Melo Neto, além do grande poeta italiano Giuseppe Ungaretti, sempre reconheceram e proclamaram seu talento e a importância de sua obra. A escritora faleceu em 2007, e como admirador de sua obra, Lauro gravou um CD onde interpreta 120 poemas extraídos  de dez de seus livros. “Os poemas de Marly têm sentido maior no seu conjunto. Cada poema tem a sua individualidade, mas é sempre uma peça de um todo maior, de uma reflexão de largo fôlego. Sua poesia é a poesia do pensamento, seguindo a linha da grande poesia do ocidente”, diz Lauro, ao identificar o elemento central dos poemas de Marly de Oliveira.

“Meus 500 anos” 

A “Comissão Nacional para as Comemorações do V Centenário do Descobrimento do Brasil” foi criada em 1993, mas passou anos funcionando pouco ou quase nada, esclarece Lauro. Desde que voltara de Barcelona, em fins de 1994, o embaixador  ocupava o cargo de Chefe da área internacional do Ministério de Ciências e Tecnologia, quando teve conhecimento de que a Comissão “estava um caos”. Recebe então  convite para ser o Diretor-Geral do Departamento Cultural do Itamaraty, o que o tornaria automaticamente Presidente da referida Comissão Nacional, no início de 1997. “Foi o desafio mais fantástico que já enfrentei na vida. Em pouco tempo conseguimos transformar aquele projeto em  algo fascinante, digno de todo o empenho”. Relembra Lauro: “Começamos  a pregar pelo país inteiro a importância de se celebrar condignamente os quinhentos do Brasil. Na visão do embaixador a descentralização era a estratégia mais adequada para que todo o país comemorasse. Esta era a sua filosofia, e “para isso, nós tínhamos uma reflexão básica: vamos todos celebrar, claro, mas vamos sobretudo comemorar, no sentido etimológico da palavra, ou seja, rememorar conjuntamente. Vamos fazer uma reflexão crítica sobre estes 500 anos”. O embaixador ilustra a expressividade nacional e internacional do projeto: “Fixamos para a Comissão Nacional dez projetos de grande porte, desde a construção do Museu do Descobrimento na costa da Bahia, onde aportou Cabral, até uma iniciativa chamada “Descobrindo o Brasil”, que consistia na montagem de 12 exposições a serem apresentadas em doze diferentes países, mostrando de um lado  o que era o Brasil e, de outro, evidenciando a contribuição que cada um desses 12 países havia aportado para a formação do Brasil e do povo brasileiro.  Designamos 14 especialistas como  curadores, que preparariam inclusive uma coletânea de livros refletindo tudo isso, em relação a cada país. A mostra seria apresentada em  parceria com museus de prestígio nas várias capitais visitadas. Trabalhamos nesse projeto dia e noite, durante três anos, com uma equipe altamente especializada e super-motivada”.

Po outro lado, mais de 450 projetos provenientes da sociedade civil, de universidades, de governos de Estados e Municípios, de todos os cantos do Brasil, foram criteriosamente analisados e aprovados pela Comissão Nacional, passando a integrar a agenda oficial do V Centenário e obtendo o direito de usar a logomarca, o selo oficial. Este selo, igual ao pin que o embaixador tem sempre afixado em sua lapela, com o dizer “Brasil 500 anos”, possui as cores da bandeira nacional e foi criado por uma importante artista plástica brasileira “Eu sou seguramente a única pessoa no mundo que ainda guarda e usa esse pin, como lembrança de uma resistência e de uma luta finalmente inglória…”

Pois é, em um determinado momento, e em plena batalha diuturna da Comissão, de seus numerosos membros representando 17 Ministérios, além de dois Senadores, dois Deputados Federais e dois Ministros do STF, o impensável aconteceu. Surgiu de repente uma figura bizarra no horizonte nacional, que ninguém sabia exatamente quem era, a não ser no Paraná, sua terra de origem,  que tinha acabado de ser nomeado Ministro do Esporte e Turismo. Lauro descreve este político como  um tipo , folclórico,  felliniano, um personagem de ópera bufa: “um sujeito incrivelmente afoito e ousado, apadrinhado pelo Governador Jaime Lerner”, e que havia sido indicado por políticos do sul do Brasil para ser Ministro de Estado do Esporte e Turismo.

De acordo com o embaixador, Rafael Greca, o tal personagem, tinha como objetivo eleger-se governador do Estado do Paraná; no entanto a função que ocupava como ministro, não servia bem aos seus propósitos eleitorais. “Ele conseguiu convencer o Presidente da República (na época Fernando Henrique Cardoso) a criar um Comitê Executivo que ele presidiria”, cujo objetivo era popularizar o 5º Centenário, alegando que faltava a festa na forma com que o projeto vinha a ser conduzido por Lauro. Na visão de Lauro não era necessário convocar o Brasil para fazer festa, o país a faria naturalmente, o principal era propor uma reflexão, sem que isso impedisse a festa e a celebração. Quando este órgão executivo foi criado, Lauro convocou a Comissão Nacional e informou a suspensão dos trabalhos, pois não sabia qual seria a relação entre a comissão e o órgão recém-criado. “Ele vivia brigando comigo nos jornais”, diz Lauro, de forma a ilustrar a relação deteriorada entre a Comissão Nacional e o novo órgão executivo, pelo qual Greca era responsável.

Foi a partir deste quadro de desarticulação que Lauro propôs ao Itamaraty a extinção da Comissão Nacional, “o Itamaraty aceitou, pois jamais assumiu esta briga. Se fosse em outro governo,  isso não teria certamente acontecido. Nós nos autoextinguimos”. “Entre outras coisas repassamos para o Greca cerca de 14 milhões de reais (ou seja, naquele momento cerca de 14 milhöes de dólares) que havíamos penosamente conseguido para os projetos da Comissäo”. Com este amargo final o embaixador descreve como “desgraça completa” o desfecho das comemorações do 5º centenário e afirma: “Eu ainda pretendo escrever um livro sobre isso, cujo título será  “Os meus 500 Anos”…

O episódio atingiu profundamente o embaixador, como ele admite, “Percebi como só o idealismo e o trabalho não são suficientes. Muita gente do Brasil inteiro, ao findar aquela lamentável pantomima, aquela tragicomédia encenada em Porto Seguro no dia 22 de abril, me telefonava e escrevia para hipotecar seu apoio – o que na verdade me deixava ainda mais triste.” As palavras  do embaixador resumem os erros sucessivos de natureza diversa cometidos pela organização das comemorações dos 500 anos do descobrimento. “O que deveria ter sido um momento de afirmação da nacionalidade, acabou por tornar-se um espectáculo carnavalesco no pior sentido, constrangedor para todo o país”, arremata ele.

Meses antes do início oficial das comemorações dos 500 anos do Descobrimento,  Lauro Moreira  decide deixar o Brasil, seguindo para o Marrocos no cargo de Embaixador.

Refúgios: a arte e a cultura 

Casado com sua atual mulher desde 1981, Liana Lys Siqueira, descreve-a assim: “É uma pessoa que eu admiro profundamente e que me completa muitíssimo. Minha grande companheira. Tímida de certo modo, sem alarde e reservada. Extremamente afável”. Liana teve quatro filhos com o primeiro marido, a que Lauro considera como seus filhos. É para a cidade natal de Liana, Ribeirão Preto – cidade estrategicamente localizada entre Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro – que  pretende viver quando se aposentar. Estará perto dos netos.

No dia 10 de Fevereiro de 2010 aposenta-se por limite de idade. “Isso significa que no dia 10 de Dezembro chegará uma comunicação de que serei removido para o Brasil. Como aposentado não terei mais cargo nenhum no Itamaraty, vou tratar da minha vida particular. Este é o primeiro cenário”. Mesmo com possibilidade da reforma, Lauro não descarta a possibilidade de permanecer no cargo por mais um período, pois existem embaixadores nomeados que já estão reformados. “Ninguém é promovido a embaixador, mas sim a 3º secretário, 2º secretário, 1º secretário, conselheiro, ministro de segunda e ministro de primeira classe”. Lauro explica que Embaixador é o título que se confere a um representante de um Chefe de Estado junto a outro. Portanto poderá reformar-se pelo Itamaraty e ser ainda mantido no cargo por mais tempo, de acordo com o desejo de uma legiäo de admiradores seus em Portugal, inluindo figuras como Mário Soares e Domingos Pereira, Secretärio Executivo da CPLP.  Seja como for, a partir de sua aposentadoria Lauro Moreira, afirma que estará mais ligado que nunca à arte e à cultura.

A diplomacia é uma dimensão da política externa de um país. Além das definições de um diplomata que são encontradas nos manuais, caracterizadas por representar negociar e informar, a diplomacia cultural na visão de Lauro significa “projetar a imagem do seu país junto a outro país. Isso é tão importante que a cultura tende a ser o carro chefe da diplomacia.” Para o ex-presidente Mário Soares, “A cultura é um instrumento importantíssimo de diplomacia, e da política externa. Eu sou partidário em absoluto do desenvolvimento de entidades culturais, e temos neste sentido muitas ligações (Fundação Mário Soares e a CPLP). Ainda há dias houve uma reunião de todos os países de língua portuguesa e espanhola, onde estiveram presentes os ministros da cultura destes países. O Ministro da Cultura português pediu-me para fazer uma exposição, disse exatamente isso: que nós somos um agregado de culturas”.

Ivan Junqueira, ex-presidente e atual secretário-geral da ABL, ratifica a estreita ligação entre a cultura e a diplomacia, quando a internacionalização da ABL começou a ganhar força através do acadêmico Marcos Vilaça – presidente do órgão em 2006/2007, “Em cada uma destas viagens, seja para Europa seja para as Américas, as embaixadas estão sempre em cena. O Itamaraty se associa à ABL para dar acesso aos projetos de internacionalização. Qualquer movimento que ABL faça fora do Brasil, o Itamaraty está conosco”. A forte identidade de que o Brasil goza no exterior, na reflexão de Lauro Moreira, deve-se sobretudo ao peso da cultura: “Porque o Brasil é um país tão simpático assim? É porque tem uma identidade cultural própria, e que não se confunde com nenhum outro país no mundo.”

Diretor do Instituto Cultural Romeno em Lisboa (ICR), escritor e ensaísta, Virgil Mihaiu, um apaixonado pelo Brasil desde os tempos de criança, conheceu Lauro Moreira quando chegou em Lisboa com a missão de constituir o ICR. Enxerga em Lauro a habilidade diplomática: “A atividade de Moreira é admirável. Consegue ser o homem de cultura ao mesmo nível da diplomacia”. Quando completou dois anos de atividade, o ICR em Lisboa distinguiu com o título de “Amicus Romaniae” um conjunto de pessoas que colaboraram com o instituto neste período. Lauro Moreira, ao lado de Jean-Paul Lefèvre, adido cultural da França em Portugal; Laure Bourdarot, diretora do Instituto Franco Português; e Miguel Valverde, diretor do IndieLisboa, entre outros, receberam a distinção. Virgil encontra sinergias entre ambos os trabalhos, “Penso que ele consegue fazer coisas sem os elementos burocráticos característicos de institutos culturais ocidentais. Nele existe uma frescura que também é característica do Instituto Cultural Romeno”.

Antônio Valdemar, jornalista e Presidente da Academia Nacional de Belas-Artes de Portugal, introduz um tema polêmico: “O embaixador Lauro Moreira chegou a Portugal numa altura muito crítica e afirmou uma personalidade fortíssima. Conseguiu através da firmeza das suas convicções enfrentar resistências terríveis, nomeadamente numa campanha sistemática em redor de um acordo ortográfico, que tem assumido por vezes um caráter de insulto.” Um dos objetivos centrais da CPLP, e ao mesmo tempo a razão de sua existência, é a promoção da língua portuguesa.

No ano de 2007, Lauro Moreira coordenou a viagem do ex-Secretário Executivo da CPLP, o embaixador Luis Fonseca, ao Brasil. Na agenda estavam marcados 35 encontros com autoridades brasileiras de cinco capitais. No Rio de Janeiro, após o encontro com o embaixador José Aparecido de Oliveira – um dos articuladores da CPLP – houve uma visita à Academia Brasileira de Letras. Ao fim desta segunda reunião, a imprensa havia sido convocada para uma conferência, incluindo rádio, televisão e jornais.  “Quando se divulgou para a imprensa que um dos temas discutidos tinha sido o Acordo Ortográfico, o assunto foi reproduzido e ganhou projeção”, o embaixador descreve como terminou o encontro no Rio de Janeiro. Quando chegam em Brasília são entrevistados pela agência Lusa. O embaixador passa a receber telefonemas de diversas partes do Brasil para falar sobre o assunto. Ou seja,o ressurgimento do tema acordo ortográfico na agenda mediática da lusofonia aconteceu a partir desta viagem diplomática. Ao regressarem a Portugal, Lauro percebe que o assunto já estava a ter uma pequena repercussão. Na opinião de Antônio Valdemar, “O embaixador Lauro Moreira foi a voz da conciliação entre duas correntes em grande conflito, procurando impor com uma notável inteligência, com grande bom senso e um elevado sentido diplomático, aquilo que é útil e aquilo que é necessário para fundamentar, o que podemos chamar de uma filosofia e uma práxis da lusofonia.”

Lauro exalta a função da diplomacia como meio de irradiação cultural. O seu discurso diplomático, a plataforma: “O diplomata tem este dever sagrado de dar testemunho de sua cultura.  E esse testemunho não se limita apenas a realizar exposições ou promover artistas; fortalecer o diálogo cultural  é projetar a alma do país. Neste ponto é mais que um instrumento, é uma das finalidade da diplomacia. Neste caso, o meio é o fim. A mensagem é o meio.”

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Doutorando em Ciências da Comunicação pela Faculdade
de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Lisboa -23/07/09.

21 Respostas para “QUEM SOU: um perfil

  1. Me sinto feliz por ter acesso a este blog que conta um pouco da vida de um homem que ao longo de sua vida tem promovido o conhecimento e divulgado a nossa cultura. Tive a oportunidade de conhece-lo, pessoalmente, nos dias 10 e 11 de outubro, 2012, no Atelier Norma Vilar e na Camara Municipal de São José do Rio Preto, respectivamente. Sou o Carlos Eduardo, amigo do Sr. Armando Ribeiro. Abraço

  2. Meu caro Carlos Oliveira, também eu fiquei muito feliz com essa minha visita a Rio Preto, onde além de receber aquela bela homenagem da Câmara Municipal e apresentar a conferência-recital sobre a obra poética de Marly de Oliveira, a convite da Associação Ares e Mares, acabei conhecendo uma série de pessoas simpáticas e acolhedoras como você. Obrigado por seu comentário. Abraço, Lauro Moreira

  3. Condessa Gislene Pascutti De Abelane

    V. Ex.ª Embaixador Lauro Moreira , Toda a cidade de São José do Rio Preto.. Ares e Mares agradecem sua Ilustre Presença no Recital Marly de Oliveira … Aqui passa a ser sua segunda Terra Natal. Do qual o esperamos sempre com todo apreço que podemos lhe oferecer .Obrigada por nos prestigirar com sua simpatia e amizade .Abraço, Condessa Gislene Pascutti De Abelane ,

  4. Minha prezada Condessa,
    Tenha a certeza de que foi uma delícia para mim a visita a Rio Preto. Antes de mais nada, pela carinhosa recepção com que me brindaram, além da incrível dedicação com que organizaram tanto a minha conferência/recital sobre a obra poética de Marly de Oliveira, quanto a tocante homenagem prestada pela Câmara Municipal. E tudo isso, graças a vocês de Ares e Mares, meus novos grandes amigos. Obrigado mais uma vez, e um abraço do
    Lauro

  5. Caro Lauro, como vai?
    Gostaria de lhe mandar um convite do lançamento do Projeto Cultural Flores de Goyá. Trata-se de uma iniciativa de minha filha Tainá Pompêo. Será dia 13 de dezembro no teatro do Colégio Marista de Goiânia. Na ocasião, haverá a exposição das Aquarelas Flores de Goyá, de Amaury Menezes, e o show de lançamento do Cd Flores de Goyá com composições (letra e melodia) da Tainá, interpretadas por sete cantoras goianas, como Maria Eugênia e Débora de Sá.
    Gostaria do seu contato para lhe enviar o convite e o CD.
    Forte abraço do
    René Pompêo de Pina

    • Olá, meu caro René,
      Acabo de responder a esse seu comentário através do e-mail. Agradeço desde já pelo convite e reitero-lhe que pretendo comparecer no show do dia 13.Parabéns à Tainá e um grande abraço do
      Lauro

  6. V. Ex.ª Embaixador Lauro Moreira, fico feliz que uma pessoa com seu gabarito intelectual tenha lido meu livro Edifício Seabra, lhe conheci na apresentação da antologia luso-brasileira “Um Rio de Contos” onde convidando uma amiga Karen Smidt para o evento descobri que é nossa amiga em comum, agora lendo sua trajetória profissional percebi que realmente o senhor com diplomacia promoveu a cultura eu me orgulho da forma como fortaleceu as áreas das artes e da cultura.
    Um grande abraço
    Maria Araujo

  7. Christiane Vargas de Freitas

    Embaixador Lauro, como é bom poder acompanhá-lo, ainda que a distância, e percerber que continua empenhado em promover eventos culturais, se engajando sempre em novas atividades!! Lembranças muuuiiito boas da época em que trabalhei contigo no Departamento Cultural. Mande-me notícias! Um afetuoso abraço, Christiane Vargas

    • Querida Christiane, e como é bom poder saber de notícias suas após tanto tempo! Obrigado por acompanhar o nosso Quincasblog.
      Um abraço saudoso,
      Lauro

      • Christiane Vargas

        Embaixador, quando estiver em Brasília, não deixe de me contactar. Gostaria muito de revê-lo. Qual o seu e-mail para encaminhar meus contatos? Abraço, Christiane

  8. Prezado Lauro Moreira,

    Somos uma equipe de Propriedade Intelectual e estamos auxiliando a grande escritora Nélida Piñon a publicar sua foto biografia, a qual será lançada em dezembro deste ano.

    Dentre as 300 fotos selecionadas pela escritora, uma retrata a autora com sua falecida esposa, Marly de Oliveira. Assim, buscamos algum contato do Senhor para que possamos enviar o termo de autorização de uso de sua imagem.

    Agradecemos desde já pela atenção dispensada no assunto.

    Atenciosamente,

    Thais Andres Tobal
    thais.tobal@veirano.com.br

    VEIRANO ADVOGADOS
    http://www.veirano.com.br
    Av. Brigadeiro Faria Lima, 3477 – 16º andar
    04538-133 – São Paulo SP – BRASIL

  9. Marcello Glycério de Freitas

    Parabéns Embaixador Lauro pelo Blog, saudades e um grande abraço,Marcello Glycério

    • Marcello caríssimo,

      Que bom receber sua mensagem! Já o tinha visto e curtido sua foto com a nossa Denise Stoklos no Face, e agora pude enviar-lhe o endereço de meu quincasblog, onde espero recebê-lo sempre que lhe for possível. Um grande e saudoso abraço!

  10. Lauro,
    Lamento profundamente após lê o seu Blog é ter perdido tantos anos longe de sua companhia límpida e clara e de um convívio mais dioturno! Mas, por certo, nunca é tarde para recomeçar pois nossa amizade tem como base a lealdade, antes de mais nada, Parabens, mais uma vez pelo seu Blog.Segue o jogo.Abraços, Nemesio

  11. Maria do Céu Capucho Pereira Malhado

    Conheci o embaixador Lauro Moreira durante a V Bienal da Lusofonia organizada pelo município de Odivelas, em Maio de 2015. O seu dom de palavra, as suas sólidas, extensas e sentidas culturas brasileira e portuguesa, a sua corretíssima expressão verbal na língua lusófona (na versão brasileira), transtornou-me, transformou-me (eu sou portuguesa e falo a versão portuguesa). Fiquei “apaixonada” por este homem, se é que é possível alguém ficar intelectualmente apaixonado. As minhas melhores saudações ao Sr. Embaixador Lauro Moreira, um Homem Insigne.

    • Prezada Senhora Maria do Céu,

      Suas palavras, mais que generosas, deixaram-me extremamente sensibilizado. E muito contente por ver que o Quincasblog tem agora uma nova leitora desse quilate. Obrigado.
      Lauro Moreira

  12. Prezado Lauro,
    Parabéns por seu ótimo blog, repleto de artigos e temas interessantes.
    Recebi seus cumprimentos pelo meu blog, Português sem Mistério, através da sua filha, que é amiga da Gilda. Muito obrigada.
    Cordial abraço,
    Betty Vibranovski
    http://portuguessemmisterio.com.br/

    • Prezada Betty,
      Muito grato por seu comentário sobre esse nosso Quincasblog. E reitero com grande prazer os cumprimentos pelo seu Português sem Mistério, excelente e mais que oportuno, sobretudo neste nosso país, onde a Língua se vê cada dia mais maltratada.
      Um abraço grande,
      Lauro Moreira

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