A MORTE DE MANOEL DE OLIVEIRA

A MORTE DE MANOEL DE OLIVEIRA

     

                                          ou

                A GRATA LONGEVIDADE DOS MANOÉIS

Lauro Moreira

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Escrevo este post aqui de Lisboa, minha cidade cada vez mais do coração, para comentar com os leitores deste nosso Quincasblog, que o mundo perdeu ante-ontem não apenas um de seus grandes criadores, mas um dos artistas mais originais, e por isso mesmo, mais polêmicos de seu tempo. Original e polêmico como seu conterrâneo e contemporâneo Fernando Pessoa, Manoel de Oliveira enriqueceu ao longo de mais de um século o panorama cultural português e marcou indelevelmente a cinematografia mundial. E como Pessoa, e como Camões, tardou muito a ser reconhecido em sua própria terra, só o sendo a partir do instante em que se consagrou em terras alheias, sobretudo em França. Já tinha mais de 70 anos e vários filmes, quando apresentou em Paris o seu Amor de Perdição, transcrição literal do romance de Camilo Castelo Branco. Com o imenso sucesso de público e sobretudo de crítica, começou finalmente a ser reconhecido em Portugal. Caso bem parecido com o do nosso Villa-Lobos…

Manoel de Oliveira morreu aos 106 anos. E aqui já abro um curto parêntese: não sei bem porque, mas tenho a ligeira impressão de que em geral os  Manuéis (tal como os Manoéis) tendem a durar muito e sabem aproveitar o tempo para esparzir talento e sabedoria neste mundo mofino. Vejamos: em novembro passado foi-se-nos, aos 97 anos, o Manoel dos passarinhos e das coisas simples e inefáveis, o nosso Poeta do Pantanal, Manoel de Barros; o outro imenso Manuel (Bandeira do Brasil, segundo Drummond), meu inesquecível amigo e padrinho de casamento, Poeta que tocou e toca fundo a corda mais sensível da alma brasileira, morreu jovem aos 82 anos, e com apenas um pulmão desde os vinte e poucos; mais um Manuel, é o Vaqueiro Manuel, que foi não apenas personagem de Guimarães Rosa (Manuelzão e Miguilim), mas um ser vivente de carne e osso, figura lendária que tudo sabia da vida e do Sertão das Minas Gerais, e que só entregou os pontos aos 93 anos de labuta. Pois é isso, meus caros leitores, os meus Manuéis gostam, graças a Deus, de ficar para semente, e nós é que lucramos.

Duas frases recolhidas de declarações recentes de Manoel Cândido Pinto de Oliveira: Parece que Deus se esqueceu de mim e A morte é um descanso. Porém, mais que essa idade provecta –  que fazia dele o mais idoso cineasta em atividade no mundo, com o primeiro filme realizado ainda na fase do cinema mudo, em 1931, (Douro – Faina Fluvial) e o último em 2014 (O Velho do Restelo), apresentado por ele em Cannes, em agosto passado – espanta-nos sua incrível vitalidade , que o levou a realizar mais de 60 filmes, 32 deles em longa-metragem. E olhem que houve longas pausas impostas por obstáculos criados pelo Estado Novo, como entre 1942 e 1956 e entre 1965 e 1972. Entretanto, como se estivesse a recuperar o tempo perdido, produziu praticamente um filme por ano a partir de 1979. Como via o cinema como um aliado inseparável da literatura e do teatro, valeu-se de grandes nomes da literatura lusófona e universal, seja em adaptações – por vezes absolutamente literais, palavra por palavra, como em Amor de Perdição ou em Le Soulier de Satin, de Claudel – seja como inspiração (Eça de Queiróz,  Agustina Bessa-Luis, Flaubert, Dostoievski, Dante, Nietzsche, Camões, Cervantes) e lançou mão  de importantes nomes da cena portuguesa e estrangeira, como Luis Miguel Cintra, Leonor Silveira, Maria de Medeiros, Miguel Guilherme, Ricardo Trêpa, Lima Duarte (no papel do Pe. Antônio Vieira em Palavra e Utopia), Irene Papas, Michel Piccoli, John Malkovich, Marisa Paredes, Catherine Deneuve… A simples menção a essa plêiade de autores e atores evidencia a abrangência da obra de Oliveira e o alcance universal de suas reflexões.

Alceu de Amoroso Lima, nosso Tristão de Athayde, ao comentar o aparecimento surpreendente e desconcertante de Clarice Lispector na cena literária brasileira, afirmou que os escritores em geral escreviam  na clave de dó, enquanto Clarice o fazia na clave de fá… Ou seja, a leitura de seu texto exigia uma adaptação do leitor a essa nova forma de expressão. Assim, a meu ver, acontece com a obra cinematográfica de Manoel de Oliveira – o que explica a resistência de boa parte do público. O cinema para ele nada tem a ver com passa-tempo, diversão ou coisa que o valha. A câmera é o seu instrumento de pensar e sentir o mundo, de refletir sobre os mistérios da vida e da morte, é o seu ágon da tragédia grega, onde ele, proto-agonista, lutador principal, debate as relações conflituosas com o destino. Todos os meus filmes mostram que, de facto, todos os homens entram em agonia no momento em que chegam ao mundo. Sou um grande lutador contra a morte. Passei a vida a observar a agonia, cada vez com mais experiência, com cada vez mais vontade de mostrá-la. Mas a morte acaba por chegar”, disse, em 1993. E tudo isso, através de uma estética e uma visão extremamente pessoais, com planos fixos e longuíssimos, personagens normalmente estáticos, exprimindo-se em empostação e postura não naturais, mas cênicas, teatrais, sublinhado tudo por uma música cuidadosamente selecionada e adrede composta, e em películas com duração de horas e horas. Em artigo publicado ontem no Diário de Notícias, o intelectual, ex-Ministro da Cultura e meu amigo José António Pinto Ribeiro, escreve com muita justeza que “Como acontece com todos os grandes mestres do cinema mundial, a obra de Oliveira é pessoal e, assim, ao mesmo tempo integradora e alheia a correntes e tendências, a modas e a classificações e apresenta-se, de forma quase sempre inesperada, muito à frente do seu tempo no que significa e no que intenta profetizar: enuncia sempre um olhar específico sobre a existência e sobre a criação artística.” Por outro lado, é o próprio realizador, em entrevista aos Cahiers de Cinéma, que reconhece “a influência de Buñel, Dreyer e de outros no meu cinema. Desde logo, o meu primeiro filme foi influenciado por Chaplin. Mas eu nunca tentei escondê-lo. É a minha cultura, a minha concepção da arte”.

A partida definitiva de uma pessoa com 106 anos de vida não pode naturalmente surpreender a ninguém, mas sempre entristece ver o apagar-se de uma chama que até há poucos dias ainda brilhava a ponto de acalentar planos para futuras criações, entre elas, a anunciada filmagem de um conto de Machado de Assis (A Igreja do Diabo). Portanto, fiquei triste ao tomar conhecimento dessa despedida, e diria mesmo que até surpreso, já que este Manoel me parecia realmente imorrível… Fiquei sabendo da notícia num almoço com os amigos portugueses Miguel Anacoreta e Mário Máximo, intelectuais atuantes e grandes incentivadores da Lusofonia. E, logo em seguida, comecei a recordar em silêncio as poucas vezes em que tive a oportunidade de estar pessoalmente com o nosso cineasta que acabava de partir. Poucas, porém marcantes para mim.

A primeira foi há exatos trinta anos, ou seja, em 1985, quando ambos éramos bastante mais jovens… Eu servia na Embaixada em Washington e fui ao Kennedy Center assistir, a convite do American Film Institute, à apresentação do filme Le Soulier de Satin, com a presença do realizador. O primeiro grande espanto: só o filme, sem contar os debates a seguir, duraria sete horas! Para ser mais preciso: seis horas e cinquenta minutos. Como cinéfilo desde a adolescência, só me lembrava de ter visto um filme mais longo, o Guerra e Humanidade  (ou A Condição Humana), o magnífico painel pacifista de Masaki Kobayashi (1959), com nove horas de duração, embora dividido em três partes, apresentado nos tempos gloriosos do extinto (claro!) Cine Paissandú, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Só que eram três sessões, em três dias consecutivos, para se ver o filme completo. Agora, não, iríamos ver o Le Soulier de Satin (O Sapato de Cetim) em um só dia, começando pelas dez da  manhã, saindo às treze, no intervalo para o almoço, e retomando às 15hs para enfrentar as quase quatro horas finais. Segundo surpreso, ao menos para mim, até então um ignorante completo em matéria de Manoel de Oliveira: o filme é rigorosamente a apresentação, em um pequeno palco de um pequeno teatro, da longuíssima peça de Paul Claudel, drama amoroso que se passa durante o Século de Ouro espanhol, com cenários de papel e os atores estáticos. Segundo anotações de João  Bénard da Costa, professor, crítico, programador e diretor por muitos anos da Cinemateca Portuguesa, falecido em 2009: «Quase sete horas de duração, planos geralmente longuíssimos, no limite material da duração do “magasin”, câmara normalmente imóvel, impondo um único ponto de vista sobre personagens que, também normalmente, estão estáticas e se falam sem se olhar e sem olhar para a câmara, fixando um algures indefinido e insituado; uma extensíssima sucessão de “recitativos” ou “ariais” em que uma só personagem (tantas vezes) se espraia em falas de intensa e tensa duração, um filme de um cineasta português, quase integralmente falado em francês e em que se descortina mal a possibilidade de qualquer artifício (dobragem ou legendagem) “traduzir” essa língua; um texto ideológico e esteticamente avesso a qualquer moda ou gosto dominante, são estas as aparências exteriores do “opus magnum” do cinema português».

Paul Claudel, escritor e diplomata francês, que serviu inclusive no Rio de Janeiro em 1916, irmão da excelente e infeliz escultora Camille Claudel, era um católico fervoroso, que se converteu um dia no interior de uma Igreja, ao ter “de súbito o forte sentimento da inocência, da eterna juventude de Deus, uma revelação inefável.”  E acrescenta:  Acreditei com tal força, com tal adesão de todo o meu ser, com tão poderosa convicção, com tal certeza sem deixar lugar a qualquer espécie de dúvida que, depois, todos os livros, todos os raciocínios, todos os acasos de uma vida agitada, não puderam abalar-me a fé, nem mesmo, para ser mais preciso, tocá-la de leve que fosse.” Antes disso, em uma Ode a Dante, havia escrito:

“É humilhante sofrer a imposição da grosseira máquina corporal quando sabemos que fomos feitos para comandá-la,

E é idiota a vanglória da carcaça de que somos inquilinos desconfortáveis.”  

Abri novo parêntese para essas citações porque tenho para mim que o também  homem de fé Manoel de Oliveira identificou-se de certo modo com esse espírito claudeliano. Ao final da apresentação do filme no Kennedy Center, respondendo a perguntas do público, o cineasta fez uma afirmação que me deixou boquiaberto, afirmação que só vim a compreender melhor ao conhecer  depois outras obras suas, e que poderia ser resumida no conceito de que  cinema é apenas teatro filmado. Mais tarde (1993), ele diria: “O cinema é um fantasma da vida que não nos deixa senão uma coisa sensível, concreta: as emoções”. E ainda: “Os rituais são muito importantes. Sem eles, a vida seria indecifrável. O cinema não filma senão isso, um conjunto de signos, de convenções. A vida é um enigma, não é legível. São os rituais que nos permitem lê-la”.

A segunda vez que vi Manoel de Oliveira  foi  já em Lisboa, em 2008, quando exercia o cargo de Embaixador do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP. Após assistir a uma sessão de homenagem a Luis Miguel Cintra (por coincidência o mais constante ator dos filmes de Oliveira), estava na calçada em frente ao Instituto Camões, à Avenida da Liberdade, quando vejo aproximar-se dois senhores que desciam a rua, um deles sacudindo  airosamente uma bengala que lhe servia talvez para espantar mosquitos, caminhando lépido, a passos firmes, e conversando com animação. Quando passam por mim, dou-me conta de que se tratava do homem que acabava de celebrar seu centenário de vida, e que mal teve tempo para as homenagens que os amigos de sua adorada cidade do Porto queriam prestar-lhe, já que estava inteiramente envolvido em mais uma de suas produções anuais…Foi uma visão rápida, mas que me ficou naturalmente gravada na memória.

Em 2010 aposentei-me na Carreira Diplomática e retornei ao Brasil. Mas já no ano seguinte voltava a Lisboa para a primeira de várias temporadas, que espero poder repetir sempre que possível. Chegamos por coincidência no dia da abertura da segunda edição do FestIn, o Festival Itinerante de Cinema da Língua Portuguesa, a cuja criação em 2009/2010, havíamos emprestado o apoio da Missão do Brasil junto à CPLP. Naquela noite seria apresentado o novo filme de Manoel de Oliveira, O Estranho Caso de Angélica, antecedido de uma especial homenagem ao realizador, cujo nome passaria doravante a designar a sala principal do tradicional Cine São Jorje, sede do Festival. A primeira surpresa foi a de que estávamos, com as respectivas esposas, hospedados no mesmo hotel, de modo que nos encontramos na recepção minutos antes de nos dirigirmos ao evento. A segunda, que nem posso chamar de surpresa, foi a maneira fluente e descontraída com que pronunciou suas palavras de agradecimento, em meio a uma multidão entusiasmada que se apertava no espaçoso saguão do São Jorge. O filme, escrito e realizado por esse jovem homenageado de 103 anos, havia sido também escolhido para a abertura do segmento Un certain regard no Festival de Cannes de 2010. Foi essa a terceira e última vez que vi Manoel de Oliveira, ou seja, 26 anos após aquele encontro em Washington. E é bom não esquecer que depois de O Estranho Caso de Angélica, nosso amigo realizou ainda o longa O Gebo e a Sombra (2012) adaptado de uma peça de Raul Brandão, e o curta O Velho do Restelo, apresentado em Veneza e em mais uma dezena de Festivais de cinema mundo afora, e onde, segundo a sinopse, “Oliveira reúne num banco de praça do século XXI Dom Quixote, o poeta Luís Vaz de Camões e os escritores Teixeira de Pascoaes e Camilo Castelo Branco. Juntos, levados pelos movimentos telúricos do pensamento, eles deambulam entre o passado e o presente, derrotas e glórias, vacuidade e alienação, em busca da inacessível estrela”.

VOANDO NO PASSADO          

O jovem galã das moçoilas casadoiras

O jovem galã das moçoilas casadoiras

O campeåo do automobilismo

O campeåo do automobilismo

        Mas para que os queridos amigos e amigas do Quincasblog possam ter, se já não tem, um conhecimento adicional e  bastante surpreendente da vida incrível desse nosso personagem, deliciem-se com o que os jornais portugueses publicaram ontem sobre sua época de juventude:

Trapezista voador, piloto acrobático, campeão de salto à vara, galã sedutor… Muito antes da fama de realizador, já era conhecido por razões um tanto alheias à Sétima Arte. Nas revistas da época, por exemplo, a sua imagem de marca é a de um jovem de porte atlético e muito bem parecido, posando vestido com o fato que na altura era utilizado pelos praticantes de atletismo. E era tão bem parecido que, em 1929, a sua fotogenia já enchia páginas da revista “O Cinéfilo” e fazia suspirar os corações das jovens casadoiras.

De facto foi o desporto a primeira grande paixão de Manoel de Oliveira, que a ele se dedicou por inteiro quando tinha 20 anos. Mesmo mais tarde há imagens dele, de capacete de borracha, ao volante de um “Ford V8” de 3000 c.c, com o qual acabara de vencer, em 1937, o Circuito Internacional do Estoril.

No ano seguinte voltou às corridas de automóveis, desta vez no Brasil, tendo vencido o circuito da Gávea, no Rio de Janeiro”.

        Não é fantástico tudo isto?                     

Sempre o caso do profeta em sua terra...

Sempre o caso do profeta em sua terra…

                                 THE END

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18 Comentários

Arquivado em CINEMA, SÉRIE MEUS ENCONTROS

18 Respostas para “A MORTE DE MANOEL DE OLIVEIRA

  1. Vera Lúcia de Oliveira

    Caríssimo Lauro, que belo testemunho! Li, com muito interesse, e acho que o Manoel de Oliveira (meu parente?) deve estar muito contente em saber que foi louvado com tanta simpatia e justiça por um brasileiro. O ditado infelizmente é verdadeiro: “Santo de casa não faz milagre”!

  2. Fernando Cupertino

    Que maravilha, meu prezado Lauro. Visitar este blog é sempre um renovado prazer! Abraço…

  3. Marilda Pinheiro de Abreu Aquino

    Lauro, você me apresentou Manoel de Oliveira, agora estou curiosa. Vou assistir seus filmes. Se não fosse você, não saberia o que os olhos de Manoel captou. Abraços,

  4. Lauro querido, parabéns.
    O Quincasblog está uma beleza! Cada vez ainda mais bem escrito e com narrativas imperdíveis. Este mais recente está tocante, delicado, comovente mesmo. Suas apreciações nos engrandencem e mais ainda admiramos suas vivências que através da literatura, cinema, teatro, música têm trazido aos leitores momentos raros e tão lindamente lembrados que agradecemos sua generosidade em compartilhar conosco. Continue!
    Parabéns, abraços e obrigada.
    Denise

  5. Edmílson Caminha

    Lauro querido,

    Homem de cinema, Você bem sabe a grandeza da obra de Manoel de Oliveira, cineasta para poucos. Lembro três dos seus admiráveis filmes: “Palavra e utopia” (em que fulgura o talento do nosso Lima Duarte), “Belle toujours” (que não desmerece o primor de Buñuel) e “Singularidades de uma rapariga loira”, em que sentimos pulsar a criação de Eça.

    Por coincidência, acabo de ver Cleonice Berardinelli, à porta dos cem anos, dizer de cor poemas de Camões e de Pessoa. Como o diretor português, é mulher que faz da vida um canto de amor à arte, alheia a essa deselegância que é fechar os olhos e calar a voz…

    Abraço fraterno do amigo e leitor,

    Edmílson Caminha

    • Edmilson, meu querido amigo, suas apreciações sobre os posts do Quincasblog dão-me sempre uma grande satisfação, e representam ademais um adendo sempre pertinente e bem-vindo. Muito obrigado e um grande abraço.
      Lauro

  6. Lauro, meu caro:
    Que maravilha de texto sobre Manoel de Oliveira, ótimo de ler, pleno de informações. Aquela declaração dele, vinte e tantos anos atrás, fica para sempre, ainda mais agora, com sua morte:
    “Todos os meus filmes mostram que, de facto, todos os homens entram em agonia no momento em que chegam ao mundo. Sou um grande lutador contra a morte. Passei a vida a observar a agonia, cada vez com mais experiência, com cada vez mais vontade de mostrá-la. Mas a morte acaba por chegar”.
    Ótima a lembrança da longevidade dos Manoeis & Manueis. Bingo!
    Dois detalhes: também eu estava no velho e imbatível Cine Paissandu nos anos 1960 durante as três semanas de exibição de “Guerra e Humanidade” do grande Kobayashi. Não as conheço tanto como você, bien sûr, mas Lisboa e Barcelona também têm seu lugar entre minhas cidades de predileção, ao lado do Rio e de Salvador. Cataguases, nem se fala: é imbatível.
    Estive certa vez num debate na Cinemateca do MAM, no Rio. Não me lembro mais sobre que filme se falava, mas nunca me esqueci da presença de Vanja Orico na ocasião, chamada ao palco sob aplausos de toda a turma. Também eu jamais me esqueci do “Sodade, meu bem sodade/ Sodade do meu amor/ Foi-se embora/ não disse nada/ Nem uma carta deixou./ E os óio da cobra verde/ Hoje foi que arreparei/ Se arreparasse a mais tempo/ Não amava a quem amei”. Canção também citada por Caetano em seu admirável LP “Transa”. Ah, sim: felliniano de carteirinha que sou, também vi, surpreso, a aparição de Vanja cantando “Meu limão, meu limoeiro” em “Luci del Varietà”.
    Então, meu amigo, só pra registrar os bons momentos passados a ler (sempre) o Quincas Blog.
    Grande abraço,
    Ronaldo

    • Ronaldo Werneck, você, como sabe muito bem, é de meus poetas preferidos no Brasil de hoje. Isso, para não falar do cronista insuperável de Há Controvérsias (I II). Por isso mesmo, sabe igualmente o prazer que tenho ao tê-lo como leitor assíduo e generoso deste nosso Quincasblog. Seus comentários são sempre muito bem-vindos, pois além de tudo ampliam e enriquecem as matérias aqui publicadas. Muito obrigado, meu caro. Uma última coisa: a minha grande falha, que espero ser sanar tão logo possível, é nunca ter estado em Cataguases, cidade que apesar disso admiro e conheço um pouco, através de gente como Humberto Mauro, seu amigo Rosário Fusco e a Revista Verde, de quem o nosso saudoso José Mindlin tanto me falava e que acabou me presenteando com alguns exemplares comemorativos. Um grande abraço e toda minha admiração.

  7. Simplesmente admirável a extraordinária obra do MESTRE do Cinema Português, MANUEL DE OLIVEIRA e magnífica a apresentação de sua incomum carreira que dela nos faz o narrador. Suas narrativas são sempre muito ricas de esclarecimentos e muito agradáveis de serem lidas. Esta é a história de uma longeva vida ricamente narrada em poucas páginas. Bem haja e parabéns.
    Armando Ribeiro

  8. Pingback: MANOEL DE OLIVEIRA-MESTRE DO CINENA PORTUGUÊS

  9. Pingback: POESIA LUSÓFONA -POR Embaixador LAURO MOREIRA

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