MAIS LENHA NA FOGUEIRA

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Meus amigos,

Eu já havia jurado para mim (a bem da verdade, mais de uma vez…) que nunca mais voltaria a perturbar a paciência de ninguém com essa novela interminável do famigerado Acordo  Ortográfico da Língua Portugesa. Desde que fui para Lisboa e assumi o cargo de Embaixador junto à CPLP em meados de 2006, gastei muita saliva e não pouca tinta, tentando convencer aqueles que por diferentes razões se opunham em Portugal à ratificação final do texto acordado pelos países lusófonos em 1990. Publiquei vários artigos, inclusive um para o Livro do Ano da Enciclopédia Barsa, proferi inúmeras palestras, escrevi prefácios de livros sobre o assunto, participei de debates sem fim no radio e na TV, dei entrevistas aos jornais e revistas, enchi a paciência de amigos e interlocutores em geral  – e tudo porque acreditava piamente, como ainda acredito, nos reais benefícios que esse Acordo trará para a própria expansão da lusofonia no mundo.

Na verdade, os meus raros e preciosos leitores deste quincasblog já devem possivelmente ter lido uma matéria que publiquei aqui, em maio do ano passado, tratando exatamente do assunto (basta conferir, na coluna ao lado, na categoria Acordo Ortográfico), onde destaco, entre outros aspectos, aquele que sempre me pareceu o mais relevante, que é o de finalmente ter-se posto um ponto final numa aberração inaugurada em 1911, quando passamos a contar com duas ortografias oficiais e excludentes (a portuguesa e a brasileira) para a mesma Língua.

Acontece porém que agora, ao apagar das luzes de 2012, o Governo Dilma Roussef, numa decisão absolutamente inexplicável e sem qualquer justificativa plausível, reabriu a questão no Brasil, onde desde janeiro de 2009 o assunto estava encerrado, com a adesão incondicional de todo o país às novas regras. Um novo decreto  modificou o anterior, de 29 de setembro de 2008, estabelecendo um prazo adicional até 2016 para a entrada em vigor definitiva do Acordo Ortográfico. Para quem tem convivido com essa matéria, a decisão brasileira vai afetar seriamente o andar da carruagem em países como Portugal, Angola e Moçambique, onde as resistências ao AO tem sido bem maiores.

Sobre o assunto, o jornal Folha de S.Paulo de hoje, 14 de janeiro, publica um oportuno artigo do educador e membro da Academia Brasileira de Letras, Arnaldo Niskier, intitulado “Somos um país sério?”. Vale a pena lê-lo. E vale mais ainda a pena ler o que passo a publicar a seguir: o excelente texto do Professor Carlos Alberto Faraco, da Universidade Federal do Paraná e homem da área, escrito no dia 19 de dezembro, ou seja, uma semana antes da publicação do novo decreto, e onde tudo aquilo que eu diria sobre o assunto está dito, e muito bem. Portanto, meus amigos, vou poupá-los agora de minhas novas reiterações, pedindo licença ao Professor Faraco (que nem tenho o prazer de conhecer pessoalmente) para passar-lhe a palavra:

(Documento encaminhado à Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Gleisi Hoffmann. Ver nota de esclarecimento ao final)

 

     De por que é um erro prorrogar até 2016 o prazo de implantação definitiva da ortografia          prevista pelo Acordo Ortográfico de 1990.

 

Carlos Alberto Faraco

(Universidade Federal do Paraná)

 

Fiz parte da Comissão de Língua Portuguesa do Ministério da Educação (COLIP – MEC) que assessorou o governo federal em 2008 no processo de implantação do Acordo Ortográfico de 1990 no Brasil. Por isso, tomo a liberdade de enviar este arrazoado na esperança de convencer a ministra Gleisi Hoffmann do equívoco e do erro grave que será a edição do novo decreto presidencial (anunciado recentemente pela imprensa), prorrogando a vigência definitiva da ortografia do Acordo para 2016. E me coloco inteiramente à disposição para qualquer esclarecimento que ainda se faça necessário.

Quando a COLIP foi convocada pelo ministro da Educação para  assessorar o governo federal no processo de implantação das novas normas ortográficas, ela não podia, obviamente, entrar no mérito dos termos do Acordo visto que este é um tratado internacional assinado em 1990 pelos países de língua oficial portuguesa e foi devidamente ratificado pelo nosso Congresso Nacional em 2004. Assim, coube à Comissão apenas a tarefa de sugerir o melhor caminho a ser seguido no processo de inclusão do Acordo na ordem jurídica nacional por ato do presidente da República.

A COLIP, depois de ponderar as diversas questões técnicas, políticas e econômicas relacionadas ao tema, propôs um período de quatro anos de transição ao fim do qual se implantariam definitivamente as normas ortográficas estipuladas pelo Acordo.

Tendo por base os estudos e sugestões da Comissão, o presidente da República assinou, em 29/9/2008, os Decretos n. 6.583, n. 6.584 e n. 6.585, determinando a vigência do Acordo a partir de 01/01/2009, com um período de transição de quatro anos – que vence no dia 31 de dezembro de 2012 – durante o qual coexistiriam a norma ortográfica fixada em 1943 e a nova norma ortográfica definida pelo Acordo de 1990.

A Comissão – composta por professores universitários da área de Linguística e Língua Portuguesa, por um representante do Ministério das Relações Exteriores e por um representante da Academia Brasileira de Letras – tomou por base os seguintes parâmetros:

1 – o Brasil, por sua iniciativa político-diplomática, havia conseguido, no período 2005-2008, que se concretizassem as exigências para que o Acordo Ortográfico entrasse em vigor (a ratificação de pelo menos três dos signatários). Em abril de 2008, a Assembleia Nacional Portuguesa ratificou o Acordo, somando-se ao Brasil, a Cabo Verde, a São Tomé e Príncipe e ao Timor-Leste. Diante disso, era fundamental que, do ponto de vista político, o nosso país inserisse os termos do Acordo na ordem jurídica nacional e definisse o cronograma para sua implantação. E isso foi feito pelos Decretos presidenciais já mencionados. Desse modo, o Brasil sinalizou seu efetivo compromisso com o Acordo, reforçou sua vitoriosa iniciativa diplomática (cujo pano de fundo é ampliar a presença do português como língua oficial de organismos internacionais, bem como estimular sua difusão como língua internacional) e consolidou o papel de liderança que merece ocupar no espaço lusófono por ser o maior país de língua portuguesa do mundo;

2 – o compromisso da Academia Brasileira de Letras de publicar, no mais curto espaço de tempo (e dentro ainda da delegação de competência que, desde a década de 1930, recebeu do Estado brasileiro em matéria ortográfica), a nova edição do seu Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) adaptado às normas definidas pelo Acordo. Isso era indispensável para que o Brasil dispusesse de um instrumento técnico seguro de referência da nova ortografia. A 5a. edição do VOLP foi publicada já em 2009;

3 – a importância de que o cronograma de implantação coincidisse com o calendário do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) – o maior programa editorial do país e um dos maiores do mundo – de modo a não haver qualquer gasto desnecessário e eventuais prejuízos financeiros para o governo federal. Os quatro anos previstos a partir justamente de 2009 atenderam precisamente a este aspecto;

4 – tendo em vista que as mudanças ortográficas estipuladas pelo Acordo são, para nós brasileiros, de pequena monta, considerou-se que o tempo de quatro anos, além de não entrar em conflito com o calendário do PNLD, seria suficiente para sedimentar a nova memória ortográfica entre a população. E isso foi facilitado por quatro fatos:

a) toda a imprensa brasileira adotou as novas normas ortográficas já em 01/01/2009;

b) as editoras brasileiras começaram a publicar seus novos livros com a nova ortografia já em 2009;

c) as secretaria estaduais e municipais de educação,  as editoras e a mídia em geral divulgaram amplamente a nova ortografia de modo que os professores puderam trabalhar com ela já a partir do ano letivo de 2009;

d) todos os novos livros que chegaram às escolas pelo PNLD a partir de 2010 incorporaram – por exigência dos editais – a nova ortografia.

Como resultado, pode-se dizer com toda a segurança que hoje a população em geral já não tem mais a memória das normas ortográficas anteriores.

Apesar disso tudo, alguns poucos desavisados vêm tentando tumultuar um processo que foi exemplar (o Brasil tem servido de modelo para os demais países de língua oficial portuguesa) e de total sucesso (não há qualquer dúvida de que a nova ortografia está implantada no Brasil).

 Trata-se de alguns defensores de ideias mirabolantes – que são tecnicamente incorretas e politicamente equivocadas – que vêm inescrupulosamente tentando ganhar visibilidade. Não contam com nenhum respaldo da comunidade acadêmica de Linguística e Língua Portuguesa (embora sejam, algumas vezes, apresentados pela imprensa como “importantes linguistas brasileiros”) pelo simples fato de revelarem, em suas manifestações, um total desconhecimento da história da nossa ortografia e de seus complexos aspectos técnicos.

Tentaram, sem qualquer sucesso, ganhar espaço para suas ideias no I Congresso Internacional sobre a Situação do Português no Sistema Global, organizado pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e realizado em Brasília em março de 2010.

Sem conseguirem convencer a comunidade acadêmica brasileira e as delegações reunidas no I Congresso, entraram, então, com uma ação popular contra a Academia Brasileira de Letras, alegando que, na publicação da 5a. edição do VOLP, ela havia ido além do que estipulava o Acordo, em especial quanto ao uso do hífen.

Essa é uma alegação totalmente falsa porque as normas do Acordo foram seguidas na atualização do VOLP e, onde havia lacunas, a Academia, por meio de sua Comissão Lexicográfica, apenas manteve a tradição ortográfica, considerando que o Acordo não eliminou essa tradição (nem poderia, já que a ortografia é fixada num longo, lento e cuidadoso processo histórico).

Por fim, esses mesmos desavisados buscaram sensibilizar, com seus falsos argumentos, alguns senadores tentando conseguir que a implantação do Acordo, conforme prevista pelos decretos presidenciais, fosse suspensa por iniciativa legislativa. Infelizmente, conseguiram algum sucesso nesta seara: a Comissão de Educação do Senado acabou por promover uma audiência aberta sobre o Acordo em abril de 2012.

Surpreendentemente, a Comissão de Educação não convidou nenhum dos membros da Comissão do MEC que assessorou o governo em 2008 e ninguém da Academia Brasileira de Letras que, por lei, é responsável pela publicação do VOLP. Pelo que pude ler na matéria do site  do Senado na ocasião, estiveram na audiência pessoas muito desinformadas que fizeram afirmações improcedentes (por exemplo, de que o Acordo ainda não está em vigor em Portugal – o que é totalmente falso; ou de que a Academia extrapolou as normas do Acordo – o que é igualmente falso, como mostramos acima). Foi, para dizer o mínimo, uma situação lastimável e muito preocupante: não é preciso ir longe para saber que, numa área tão complexa técnica e politicamente como a da ortografia,  qualquer decisão, decorrente da desinformação será desastrosa.

Pois bem, nas últimas semanas li na imprensa que a ministra Gleisi Hoffmann, convencida por alguns senadores, vai encaminhar à presidente da República a sugestão de que seja prorrogado até 2016 o período de transição, postergando a implantação definitiva do Acordo no Brasil.

Se isso se concretizar, será um grande erro político do governo, com repercussões imprevisíveis, já que:

1 – uma tal prorrogação instaura um clima de incerteza e intranquilidade no espaço lusófono porque a medida será certamente lida como um sinal de que o Brasil está voltando atrás na matéria, o que levanta o fantasma de que o nosso país vai abandonar o Acordo (o que seria, claro, um total despropósito, considerando os custos econômicos de sua implantação desde 2009);

2 – tira do Brasil o papel de liderança que conquistou, no espaço lusófono, pelo modo cuidado e ponderado com que conduziu essa questão desde 2005;

3 – instaura, como deixou clara  recente manifestação da presidente da Academia Brasileira de Letras pela imprensa, um clima de incerteza e intranquilidade entre as editoras brasileiras que investiram não poucos recursos para implantar a nova ortografia em suas edições desde 2009;

4 – desconsidera a comunidade acadêmica de Linguística e Língua Portuguesa do Brasil em favor de quem não tem nem competência técnica nem respaldo político.

Por fim, vale fazer referência à situação de Portugal que alguns trazem à baila para justificar seus falsos argumentos. Lá o governo sim pôs a ortografia do Acordo em vigor por Resolução do Conselho de Ministros de 09/12/2010, a partir de 01/01/2011 no âmbito da administração pública e, no sistema escolar, a partir do ano letivo 2011-2012. E estipulou um prazo de transição de seis anos.

Esse prazo maior é plenamente justificável: primeiro porque as mudanças são maiores e mais salientes lá do que aqui; segundo, porque, seguindo o exemplo do Brasil, Portugal também fez coincidir a implantação da nova ortografia no sistema escolar com o calendário do seu Programa Nacional do Livro Didático. Em razão das características do Programa português, o tempo lá tem de ser necessariamente mais longo: enquanto o nosso PNLD se faz por ciclos escolares (e, portanto, se completa em três anos), o português se faz por blocos de matérias (e se completa em tempo maior).

 Curitiba, 19 de dezembro de 2012.  (dia do Centenário da Universidade Federal do Paraná) 

  

       (NOTA: Preparei este texto pensando em entregá-lo pessoalmente à ministra Gleisi Hoffmann cuja presença nas comemorações do centenário da Universidade Federal do Paraná havia sido anunciada. Por problemas de agenda, a ministra não veio a Curitiba. Tentei, então, fazer chegar o texto ao gabinete da Casa Civil da Presidência da República. Como não tive qualquer confirmação de sua recepção, imagino que ele se “perdeu” pelos escaninhos da burocracia. Quando li a carta que a Profa. Stella Maris Bortoni, nossa colega da UnB e também membro da COLIP, encaminhou ao ministro da Educação com lúcidas reflexões sobre a questão ortográfica, achei que este meu texto – embora vencido pela edição do decreto presidencial estendendo para 2016 a vigência definitiva das normas ortográficas do Acordo de 1990 – deveria também ser tornado público, reforçando o posicionamento da Profa. Stella Maris e convocando os colegas a resistirmos às marolas da incompetência técnica aliada à irresponsabilidade política.)   

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6 Comentários

Arquivado em ACORDO ORTOGRÁFICO

6 Respostas para “MAIS LENHA NA FOGUEIRA

  1. Não tenho dúvida alguma quanto a possíveis transtornos, incluíndo os de ordem económica e a hesitação das autoridades.
    Acontece que eu, como português que sou, estava e estou muito satisfeito como é ou era usada a língua portuguesa no meu país.
    Estranho também que a toque de caixa se fosse buscar a adesão de países menores como CABO VERDE, SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E TIMOR LESTE e não se esperasse pela adesão de ANGOLA e MOÇAMBIQUE, que são os dois maiores países de LÍNGUA PORTUGUESA em territorio, população e riquezas naturais, depois do BRASIL..
    A opinião da população portuguesa, na sua maioria, não é favorável a esse acordo ortográfico, bem como ANGOLA E MOÇAMBIQUE e existem muitas afirmações por lá (em Portugal) quanto à lisura dos participantes portugueses na COMISSÃO que o ratificou.
    Neste último aspecto nada posso afirmar, mas que certas mudanças são muito estranhas é uma verdade e pelo que conheço entre o Brasil e os restantes países de expressão lusófona, elas são, sem dúvida, mais convenientes a um dos lados e, por coincidência, exactamente onde o Ensino em todos os níveis é muitíssimo precário e constatado não só por mim , mas por milhões de brasileiros, incluindo intelectuais, e orgãos internacionais.
    A própria Imprensa e os Canais de Televisão brasileiros constantemente se referem a essa enorme deficiência do Ensino neste pais citando os tristes textos redigidos por estudantes nos últimos anos de seus cursos superiores.
    Esta é uma verdade que não deve ser escondida, mas sim evidenciada para que a juventude e as autoridades responsáveis sejam compelidas a entrarem no caminho correcto e começarem a cuidar da sua língua oficial portuguesa como é conveniente, em vez de recorrerem a Acordos Ortográficos que facilitem esconder as deficiências dos seus usuários.
    Grato pela oportunidade e uma amizade sólida só é verdadeira quando usamos de sinceridade absoluta. Não gosto desse A. Ortográfico parcial. Com Angola e Moçambiqu de fora, esse A.O. visa interesses que não são de todos e, portanto, a língua portuguesa deixa de ser igual nos oito países, tal e qual como, em princípio, era a ideia. Deste modo teremos sempre dois modos de falar e escrever português.

  2. João Carlos Reis

    Prezado sr. Lauro Moreira,

    após ler com muita atenção o que escreveu bem como a publicação do seu amigo Carlos Alberto Faraco, venho por este meio desmistificar com palavras firmes (tal como o sr. usou para defender o, passo a citar, “famigerado acordo ortográfico”) o desprestigiante acordo ortográfico, defendendo a Língua Portuguesa. Escrevo “Língua Portuguesa” com iniciais maiúsculas como preconiza o Formulário Ortográfico de 1943 no 6º ponto da sua Base XVI, bem como o Acordo Ortográfico de 1945 na sua Base XLII, e não com reducentes iniciais minúsculas como defende o acordo de 1990.
    Logo no segundo parágrafo deste seu texto, o sr. reafirma a negrito aquilo que escreveu na sua publicação com o título “Acordo Ortográfico”. Bem.. como já tive oportunidade de escrever nos factos que lá publiquei, este acordo apenas camufla aquilo que vai continuar a ser realidade: a continuação da existência de duas ortografias. Além de ainda não se ter dignado responder às minhas perguntas (que não eram nem são de retórica) lá colocadas (já passaram mais de seis meses, apesar do sr. ter tido tempo para responder a comentários de outras publicações suas em que o bajulavam) nem de ter conseguido contrapor técnico-cientificamente os factos que lá aduzi, também é digno que se reforce e elucidem as pessoas que este contradizente acordo, dito unificador, chega à aberração de fazer com que palavras anteriormente grafadas de modo igual passem agora a ser escritas de forma diversa…
    No parágrafo imediatamente a seguir, o sr. afirma que “… este o assunto estava encerrado, com a adesão incondicional de todo o país às novas regras.”. Bem… é preciso ter um grande e enorme desplante e sobranceria para fazer uma afirmação destas… Mas como não o desejo maçar muito, aqui vão algumas das muitas notícias que contradizem esta sua afirmação: “Senado deve voltar a debater acordo ortográfico”, “Governo brasileiro vai adiar obrigatoriedade do Acordo Ortográfico para 2016”, “Linguista aponta falta de amadurecimento no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”, “Academia Brasileira de Letras propõe mudanças em Acordo Ortográfico”, “Linguista brasileiro diz que novo Acordo Ortográfico já é antigo e defende simplificação”, “Adiamento de novo Acordo Ortográfico no Brasil divide opiniões de professores e alunos” ou “Acordo Ortográfico é desconhecido nas ruas de Belém do Pará”.
    Dois parágrafos abaixo, o sr. constata que “Sobre o assunto, o jornal Folha de S. Paulo de hoje, 14 de janeiro, publica um oportuno artigo do educador e membro da Academia Brasileira de Letras, Arnaldo Niskier, intitulado “Somos um país sério?”.” Talvez não saiba, mas eu fiz algumas perguntas referentes a pontos teóricos e práticos relacionados com o acordo ortográfico e… até agora ainda estou à espera duma resposta dele… Dele e de outros defensores deste descredibilizante acordo, pois como infelizmente não fizeram o acordo para Enobrecer, Exaltar, Honrar e Dignificar a Língua Portuguesa, não têm argumentos técnico-científicos para responder a muitas das questões levantadas por incoerências, contradições e inconsistências deste acordo.
    Já no texto do seu amigo Carlos Alberto Faraco lemos no primeiro ponto “4 – tendo em vista que as mudanças ortográficas estipuladas pelo Acordo são, para nós brasileiros, de pequena monta,…” e no último parágrafo afirma que “…: primeiro porque as mudanças são maiores e mais salientes lá do que aqui; segundo, porque, seguindo o exemplo do Brasil, Portugal…”. Aqui nós temos o perfeito exemplo em como os defensores deste péssimo acordo se contradizem, pois Malaca Casteleiro, Evanildo Bechara e o antigo ministro da cultura do Brasil, Gilberto Gil, afirmam precisamente o contrário, ou seja, que foi o Brasil que mais cedeu neste acordo.
    Alguns parágrafos mais abaixo, o mesmo sr. Carlos Alberto Faraco tem o desplante e a ousadia de afirmar que “… e de total sucesso (não há qualquer dúvida de que a nova ortografia está implantada no Brasil).” É incrível, pelos exemplos que acima já dei, que se recorra à mentira (e infelizmente não é a primeira a que os defensores deste famigerado acordo recorrem) para obrigar as pessoas a corroborarem algo com que não concordam ou sequer sabem da sua existência…
    No parágrafo seguinte, o mesmo sr. diz que “Trata-se de alguns defensores de ideias mirabolantes – que são tecnicamente incorretas e politicamente equivocadas – que vêm inescrupulosamente tentando ganhar visibilidade. … pelo simples fato de revelarem, em suas manifestações, um total desconhecimento da história da nossa ortografia e de seus complexos aspectos técnicos.” Bem… para quem os aspectos filológicos, linguísticos, etimológicos, ortográficos, ortoépicos, gramaticais, históricos, vocabulares e de unidade da Língua Portuguesa em nada interessam, haja coragem para dizer algo como o que atrás foi afirmado… Vamos a ver consegue ter argumentos técnico-científicos para, se tiver dignidade para isso, contrapor a alguma das observações que tenho feito e que até agora ainda ninguém quis (ou conseguiu) responder…
    Três parágrafos abaixo, o sr. Carlos Alberto Faraco afirma que “…, já que a ortografia é fixada num longo, lento e cuidadoso processo histórico).” Então uma simples pergunta se impõe: Se é assim tão lento, porque é que em menos de um século se realizaram três grandes reformas ortográficas à Língua Portuguesa, caso único em todo o mundo? Além disso, e como todos sabemos, o Idioma tem as suas alterações naturais na fonética com o passar do tempo, mas será que ainda ninguém reparou que as reformas ortográficas de 1943 e 1945 produziram alterações artificiais na fonética devido à eliminação acrítica de consoantes não pronunciadas e alguns acentos???
    Dois parágrafos depois, o mesmo sr. diz que “… (por exemplo, de que o Acordo ainda não está em vigor em Portugal – o que é totalmente falso;” e, como escreve sete parágrafos mais abaixo, “Por fim, vale fazer referência à situação de Portugal que alguns trazem à baila para justificar seus falsos argumentos. Lá o governo sim pôs a ortografia do Acordo em vigor por Resolução do Conselho de Ministros de 09/12/2010, a partir de 01/01/2011 no âmbito da administração pública…”. Pois… Em primeiro lugar convém também informar que, ao contrário do que tão peremptoriamente afirma o sr. Carlos Alberto Faraco, a Resolução do Conselho de Ministros de 09/12/2010 (a n.º 8/2011) não diz que a nova ortografia entraria em vigor para a administração pública a 01/01/2011… mas sim a 01/01/2012… Também convém referir que esta resolução diz a dado passo que “…elimina algumas excepções ortográficas, garantindo uma
    maior harmonização ortográfica.” para mais adiante afirmar “Em segundo lugar, a harmonização ortográfica nos países da CPLP é fundamental para que os cerca de 250 milhões de falantes, presentes em comunidades portuguesas no estrangeiro, nos países de língua oficial portuguesa ou, ainda, integrados no crescente número de pessoas que procuram a língua portuguesa por outras razões, possam comunicar utilizando uma grafia comum.”… Contradições que já ficou provado não serem tão poucas assim… Mas adiante… Em segundo lugar o que o sr. Carlos Alberto Faraco não explica (pois não convém) é que essa Resolução do Conselho de Ministros de 09/12/2010 (a n.º 8/2011), sem valor de Decreto-Lei, bem como a anterior Resolução da Assembleia da República n.º 26/91, de 23 de Agosto, sem valor de Lei, são meros procedimentos administrativos governamentais. Ou seja: sendo este documento internacional de suma importância para Portugal, para a sua Cultura, bem como para a internacional, nem o governo nem os deputados o acharam digno dum Decreto-Lei ou duma Lei, remetendo-o a meros procedimentos administrativos sem qualquer valor legislativo.
    Para terminar, gostaria de dizer que o brio profissional dos mentores deste desprestigiante acordo é tão grande que permitiram que o documento fosse enviado para publicação em Diário da República sem ser devidamente revisto e corrigido, o que fez com que fosse publicado com inúmeros erros (confirmar a publicação oficial com a oficiosa, devidamente corrigida). Como muito bem diz o título do artigo onde foi publicada uma entrevista feita ao filólogo Fernando Paulo Baptista, com este degradante acordo a Língua Portuguesa continuará a ser nivelada por baixo em vez de ser Enobrecida, Exaltada, Honrada ou Dignificada.

  3. Senhor João Carlos Reis,

    Vou procurar ser o mais polido possível com Vossa Senhoria, a quem não conheço e nem sei exatamente onde vive e o que faz. Estarei falando portanto para um interlocutor desconhecido que me tem honrado com seus comentários neste modesto Quincasblog. Comentários, aliás, quase sempre indignados, dogmáticos e eivados de insultos, que me abstenho naturalmente de responder, já que nesta janela de comunicação com amigos e desconhecidos, (mas interessados nos temas aqui tratados), não sobra lugar para insultos pessoais. Apesar disso, no entanto, não hesitei em publicar na íntegra os seus comentários longos e prolixos.

    Para começar, diria apenas que não sou “amigo do Professor Daniel Faraco” (na verdade, nem o conheço) mas concordei com suas argumentações referentes à questão da entrada em vigor no Brasil do “famigerado” AO (sugiro ao Senhor Reis que consulte o dicionário, já que tanto se indignou com o uso desse epíteto no momento de “desmistificar com palavras firmes o desprestigiante acordo ortográfico”). E causa espanto a sua presunção diante de minha assertiva de que este assunto estava encerrado para nós brasileiros, com a adesão incondicional de todo o país às novas regras, quando escreve, categórico: “Bem… é preciso ter um grande e enorme desplante e sobranceria para fazer uma afirmação destas…” Ora, gostaria apenas de saber o quanto conhece de Brasil o Senhor Reis, qual a sua vivência deste país, e não o que disse este ou aquele jornal a respeito da reação dos brasileiros ao AO, do tipo “Acordo Ortográfico é desconhecido nas ruas de Belém do Pará”. Desconhecido, talvez, nas ruas mas observado hoje em todas as escolas de Belém do Pará, acrescentaria eu…

    Sou um homem na casa dos setenta anos (imagino-o também de minha geração, estaria certo?), com vivência não desprezível de Brasil e do mundo, depois de haver residido e servido à diplomacia brasileira em vários países, inclusive naquele em que mais me realizei, que foi Portugal, minha segunda e querida terra, que continuo frequentando mesmo depois de aposentado. Por isso mesmo, confesso-lhe que me falece a vontade de responder a colocações insultuosas, além de destituídas de sentido, como esta: “Além de ainda não se ter dignado responder às minhas perguntas (que não eram nem são de retórica) lá colocadas (já passaram mais de seis meses, apesar do sr. ter tido tempo para responder a comentários de outras publicações suas em que o bajulavam) nem de ter conseguido contrapor técnico-cientificamente os factos que lá aduzi, também é digno que se reforce e elucidem as pessoas que este contradizente acordo, dito unificador, chega à aberração de fazer com que palavras anteriormente grafadas de modo igual passem agora a ser escritas de forma diversa…” (???)

    Os meus raros e fieis leitores poderão julgar melhor a respeito da pertinência de seus “argumentos técnico-científicos” A mim, e depois de alguma relutância, coube-me apenas comentar não os seus argumentos – coisa que já fiz em várias oportunidades e outros contextos tanto no Brasil quanto em Portugal ou na África – mas a sua falta lamentável de serenidade para um diálogo construtivo. O que é de fato uma pena, pois intúo que o seu amor pela Língua de Camões, Machado de Assis, Jorge Barbosa e José Craveirinha, é tão grande quanto o meu.
    Muito cordialmente,
    Lauro Moreira

  4. João Carlos Reis

    Prezado sr. Lauro Moreira,

    peço desculpa por só agora lhe estar a responder, mas após várias tentativas, só agora a aplicação do blogue assumiu esta minha resposta.
    Gostaria de dizer que fiquei muito sensibilizado pela facto de ter respondido à minha mensagem, pelo que lhe fico muito grato, sendo que também lhe responderei com a maior delicadeza, como é meu timbre. Quanto à minha pessoa, eu apresento-me: o meu nome é João Carlos Cardoso da Silva Reis, nasci em Leiria, já morei em Angola e agora resido em Setúbal, Portugal, onde trabalho como técnico de controlo de produção. Muito obrigado pelo seu elogio, mas a minha modéstia não se acha merecedora de tal. Quanto ao que tenho escrito, gostaria de informar que a minha indignação é uma veemente defesa da Língua Portuguesa, da constatação de factos e nada mais do que isso. No que respeita ao dogmatismo, eu não gosto de certos e determinados dogmas, pelo que lhe pedia o favor de me elucidar quais são para eu os eliminar. Pelo que me é dado perceber, fui mal compreendido, pois nunca foi, não é e nunca será da minha índole insultar ou ofender quem quer que seja na defesa de qualquer dos ideais que abracei. Foi um privilégio para mim ver os meus escritos publicados no seu blogue, mas se considera as minhas respostas longas e prolixas, nem quero imaginar como considerará os artigos que lhes deram origem, pois são mais extensos do que aquelas…
    Quero pedir-lhe desculpa por dizer que é amigo do Professor Daniel Faraco, mas pelo que escreveu e apesar de não o conhecer pessoalmente, fiquei com a ideia que tinha algum tipo de contacto com ele. Por este meu lapso as minhas mais sinceras desculpas. No que respeita ao vocábulo “famigerado”, vejo que mais uma vez fui mal interpretado, pois sabendo perfeitamente o seu significado, a minha intenção era e é a de concordar inteira e completamente consigo relativamente ao uso daquela palavra no que respeita ao acordo. Eu nunca vivi no Brasil, mas tenho muitos(as) brasileiros(as) de quem sou amigo, tanto em Portugal como no Brasil e com quem falo quase diariamente. O interessante é que cerca de 80% dessas pessoas têm formação na área da pedagogia e que a exercem na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, no SESI em Feira de Santana ou no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano. Apesar de todas estas pessoas dizerem que leccionam a/com a nova ortografia, dizem que o fazem por imposição e não porque o acordo seja bom para a Língua Portuguesa ou que esteja bem estruturado. Mesmo assim eu sei que existem alguns(as) professores(as) que o fazem por concordarem com o dito acordo.
    Não. Por acaso sou um pouco mais novo que o sr., pois tenho somente 46 anos. Em face disto só tenho que reverentemente respeitar as suas cãs. Relativamente às suas viagens a Portugal, espero que seja cá sempre bem recebido e, se alguma vez o seu tempo o permitir, desejo convidá-lo a visitar Setúbal e, quem sabe, encontrarmo-nos para, numa amena cavaqueira, partilharmos ideias relativamente a este assunto ou outro qualquer. Como já escrevi, e volto a reforçar, nunca foi, não é e nunca será da minha índole insultar ou ofender quem quer que seja. O que eu quis dizer foi que apenas e só me limitei a constatar os factos (seja neste ou noutro caso qualquer), que se mantêm, pois até agora o sr. ainda não respondeu às minhas questões colocadas na sua publicação com o título “Acordo Ortográfico” para eu ficar devidamente elucidado. Quanto ao facto de inúmeras palavras que antes deste acordo se grafavam de igual maneira tanto deste como desse lado do Atlântico, presumo que saiba que agora, com a implementação dele, se vão passar a escrever de forma divergente aqui e aí. Caso não o saiba, posso dar-lhe alguns exemplos…
    Concordo plenamente consigo, pois não tendo eu que inventado o Português nem as suas regras, apenas e tão só me limitei a observá-las sem nada lhes ter acrescentado, apesar de desejar que aquelas fossem melhoradas. Apesar da sua relutância, reforço aquilo que no início escrevi, elogiando o facto de comentar o que eu havia escrito nesta sua publicação. No que respeita aos argumentos aduzidos para a não implementação deste acordo, lamento que não os comente, pois eu não soube das palestras ou seminários em que participou para defesa do acordo, pelo que não conheço na totalidade os seus argumentos e, em face deste facto, peço que, se tal não lhe causar muito incómodo, me envie ou dê a conhecer todas as suas opiniões a favor do acordo para eu as poder estudar e, se a sua agenda o permitir, eu teria imenso prazer em fazer uma tertúlia consigo para trocarmos ideias em relação a este tema, bem como em relação a outros conexos. Peço-lhe desculpa, mas a minha frontalidade (porventura excessiva na sua opinião) não passa duma, volto a frisar, enfática defesa da Língua Portuguesa, tal como os promotores deste acordo o fazem em relação a ele. No entanto, e apesar disso, peço-lhe o favor de me elucidar caso eu tenha escrito alguma mentira ou incorrecção, pois tal como não gosto de enganar ou iludir a mim próprio, muito menos gosto de o fazer em relação às outras pessoas; antes gosto e desejo ter um diálogo construtivo sereno com todas as pessoas. Fico muito agradecido pela sua intuição relativamente ao meu amor pelo Idioma Lusitano, pois é completamente verdade o que diz neste aspecto.
    Antecipadamente grato pela sua atenção e disponibilidade.

    Subscrevo-me com consideração,
    João Carlos Cardoso da Silva Reis.

    P. S. – Em tempo venho informar o sr. Lauro Moreira, bem como os demais prezados leitores deste artigo, que o primeiro texto que aqui coloquei tinha hiperligações que não foram assumidas pela aplicação do blogue, pelo que venho agora publicar todos os endereços electrónicos que acima pus nessas hiperligações de modo a que possam conferir os factos mencionados no referido texto:

    – Formulário Ortográfico de 1943 (http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=acordo&version=1943);
    – Acordo Ortográfico de 1945 (http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog45_73.pdf);
    – Publicação com o título “Acordo Ortográfico” (https://quincasblog.wordpress.com/2012/05/22/a-importancia-2/#comments);
    – Notícias: – “Senado deve voltar a debater acordo ortográfico” (http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2011/11/28/senado-deve-voltar-a-debater-acordo-ortografico);
    – “Governo brasileiro vai adiar obrigatoriedade do Acordo Ortográfico para 2016” (http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/noticias/governo-brasileiro-vai-adiar-obrigatoriedade-do-acordo-ortografico-para-2016);
    – “Linguista aponta falta de amadurecimento no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” (http://www.em.com.br/app/noticia/especiais/educacao/2012/12/21/internas_educacao,338736/linguista-aponta-falta-de-amadurecimento-no-texto-do-vocabulario-ortografico-da-lingua-portuguesa.shtml);
    – “Academia Brasileira de Letras propõe mudanças em Acordo Ortográfico” (http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/noticias/academia-brasileira-de-letras-propoe-mudancas-em-acordo-ortografico);
    – “Linguista brasileiro diz que novo Acordo Ortográfico já é antigo e defende simplificação” (http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/noticias/linguista-acordo);
    – “Adiamento de novo Acordo Ortográfico no Brasil divide opiniões de professores e alunos” (http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/noticias/adiamento-de-novo-acordo-ortografico-no-brasil-divide-opinioes-de-professores-e-alunos);
    – “Acordo Ortográfico é desconhecido nas ruas de Belém do Pará” (http://joaojorgereis.blogspot.pt/2013/01/acordo-ortografico-e-desconhecido-nas.html);
    – Artigo “Somos um país sério?” (http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1214357-tendenciasdebates-somos-um-pais-serio.shtml);
    – Malaca Casteleiro (http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/interior.aspx?content_id=1828650);
    – Evanildo Bechara (http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/interior.aspx?content_id=2778972);
    – Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, de 09/12/2010 (http://dre.pt/pdf1s/2011/01/01700/0048800489.pdf);
    – Brio profissional (http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1320040);
    – Publicação oficial (http://www.marcasepatentes.pt/files/collections/pt_PT/88/402/Decreto%20do%20PR%20N%C2%BA%2043-1991.pdf);
    – Oficiosa (http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog90.pdf);
    – Título do artigo onde foi publicada uma entrevista feita ao filólogo Fernando Paulo Baptista (http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=563617).

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