ARTES PLÁSTICAS : DJ OLIVEIRA

O Anhanguera

No início de agosto próximo, espera-se, será inaugurada no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia, uma grande exposição de obras de DJ Oliveira, figura seminal das artes plásticas em Goiás e em toda a região centro-oeste. Na oportunidade, será distribuído um livreto contendo um texto meu sobre o artista e amigo, ilustrado com imagens de um belo mural de grandes dimensões (quase vinte metros quadrados) que ele realizara para minha casa em Brasília, e que agora faz parte do acervo cultural do povo goiano. A história toda está narrada a partir dessa “Nota Explicativa” a seguir. 

NOTA EXPLICATIVA

Em 2005 escrevi o depoimento abaixo sobre o artisto plástico DJ Oliveira, pintor, gravador, cenógrafo, figurinista e professor, nascido em Bragança Paulista em 1932 e que veio a falecer subitamente naquele mesmo ano de 2005. Fizera quase toda sua carreira artística em Goiás e se considerava goiano de coração. Foi meu amigo dileto de longos anos, a quem eu pretendia homenagear com aquele texto, escrito antes de seu desaparecimento, para constar de um livro que se preparava sobre sua obra. O livro continua infelizmente inconcluso – uma dívida pendente de Goiás para com seu artista maior –  mas minha homenagem pessoal vem agora a público com este livreto contendo o mencionado depoimento, acrescido da doação, que tive o prazer de efetuar ao povo goiano, de seu magnífico mural “O Anhanguera”, especialmente concebido e realizado em 1997 para minha residência em Brasília, e que passa doravante a enriquecer o acervo do Centro Cultural Oscar Niemeyer.

                                                                               

 MEIO SÉCULO DE ARTE, ADMIRAÇÃO E AMIZADE

                                Lauro Moreira

CLARICE LISPECTOR, por DJ OLiVEIRA

DJ pintando o retrato de MARLY DE OLIVEIRA (Rio, 1966)

Ai de ti, Copacabana e o Auto da Compadecida

Dirso  José de Oliveira – para mim apenas Oliveira – celebra neste ano de 2005 seus 50 anos de pintura. E eu celebro com ele nossos 47 anos de amizade ininterrupta e de uma comovida admiração de minha parte, que o tempo só fez crescer e aprofundar.

Goiano de nascimento e raízes – como Oliveira o é por adoção e vivência – saí cedo de minha terra, aos dez anos, para seguir os estudos em um colégio interno em São Paulo. Após cinco anos, mudei-me para o Rio de Janeiro, juntando-me outra vez à família, que se estava transferindo de Goiânia para lá. Na então Capital Federal, comecei a viver os anos mais movimentados e felizes de minha vida, participando intensamente da efervescência cultural da época. E que época! De JK, da construção de Brasília; do Cinema Novo; do nascimento e apogeu da Bossa Nova; dos inesquecíveis autores, atores e grupos teatrais (Nelson Rodrigues, Ariano Suassuna, Tonia-Celli-Autran, Cacilda Becker, Maria Della Costa, Teatro dos Sete, Tablado, TBC); da eclosão literária de Clarice Lispector e Guimarães Rosa; da presença de Drummond, Bandeira, Jorge de Lima, Cecília Meireles. Mas também do tênis consagrador de Maria Esther Bueno, da canhota demolidora de Eder Joffre e do futebol vitorioso de Pelé, Garrincha, Didi e Nilton Santos. E ainda da intensa vida política, oxigenada pelos ares democráticos que o país respirava a plenos pulmões…

De tudo isso e muito mais pude usufruir naquele período entre 1955 e 1964, quando o Brasil era realmente feliz e não sabia…

Pessoalmente, além das atividades escolares, vivia envolvido em cursos de cinema e de teatro, em conferência de todo gênero, montagens de peças nos vários palcos amadores da cidade, dirigindo uma afanosa Associação Cultural da Juventude (ACJ), exercitando-me no jornalismo estudantil e, naturalmente, frequentando com fervorosa assiduidade as salas de cinema e de teatro e as arquibancadas dominicais do Maracanã, para ver meu Flamengo jogar…

Pois foi exatamente nessa época que vim a conhecer o nosso Oliveira. Indo a Goiânia nas férias escolares de 1959, com a intenção de apresentar um espetáculo de interpretação de textos a que dera o nome de Ai de ti, Copacabana – uma reunião de poemas e crônicas de autores brasileiros – apresento-me uma tarde para ensaio no hoje extinto Teatro de Emergência, na Rua 3, ao lado da sede do Jóquei Clube, e encontro o grupo teatral do saudoso João Bênio acabando de ensaiar O Auto da Compadecida, o recente e irresistível texto de Ariano Suassuna que já encantava as platéias de norte a sul do país.  Apresentado pelo próprio Bênio, venho a conhecer o cenógrafo da companhia, ou seja, um pintor do interior de São Paulo, chegado a Goiânia poucos anos antes e que se chamava Dirso José de Oliveira.

Era uma figura forte e marcante, lembro-me bem. E mais marcante ainda me pareceu sua pintura, dependurada em alguns quadros nas paredes do próprio camarim transformado em ateliê. Contemplei com crescente admiração as obras expostas e adquiri duas delas (uma, por sinal, acabou sendo das raríssimas obras abstratas do pintor, uma colagem tachista, numa explosão de cores a que dei logo o título nada original de “Hiroshima”). Mas confesso que, ao lado da boa surpresa de encontrar ali um pintor daquele quilate, fiquei um pouco preocupado, sem entender que tipo de público daquela Goiânia de então poderia apreciar e adquirir aquela pintura 

moderna, meio rebartiva e seguramente pouco compreensível para os conservadores padrões estéticos locais. Apresso-me a acrescentar, no entanto, que minha preocupação logo se volatizou pela crescente penetração dessa obra renovadora junto não apenas a uma camada mais sofisticada de intelectuais e artistas, mas também junto ao público goianiense em geral, junto às famílias de classe média, em cujas casas se multiplicavam a olhos vistos  quadros e gravuras de D.J. Oliveira, aos quais se acrecentavam obras de outros artistas locais, quase todos formados pelo mestre. E o pintor paulista acabou sendo adotado pelo público goiano como seu artista favorito. Acontecia aqui o que se passara com a obra de Eça de Queirós, na visão crítica de Machado de Assis: “Tal que começou pela estranheza, acabou pela admiração.”…

Aquele primeiro encontro no Teatro de Emergência foi o marco inicial de uma longa trajetória comum, de uma amizade para mim inestimável, repleta de momentos memoráveis. Passei a acompanhar, ainda que à distância, a evolução do pintor, o aprofundamento de suas pesquisas e a ampliação de seu domínio técnico e de seu horizonte artístico. Cada vez que voltava a Goiânia, passava horas com o pintor em seu atelier na Escola de Belas Artes, fundada pelo Frei Confaloni e o Professor Gustav Ritter – dois outros pioneiros das artes plásticas em Goiás – e onde Oliveira começara a lecionar informalmente,  transmitindo sua experiência a um grupo de jovens iniciantes, entre eles Siron Franco, Ana Maria Pacheco, Iza Costa e inúmeros outros… Era a semente que estava sendo plantada e que em pouco tempo se ergueria em árvore frondosa e se multiplicaria em novos frutos e novas sementes, dando origem e alimentando um dos mais férteis movimentos artísticos do Centro-Oeste brasileiro.

O pintor em Botafogo

Por essa época eu continuava vivendo no Rio, e me havia casado, em 1964, com uma jovem e brilhante poeta – Marly de Oliveira – com quem tive o privilégio de passar a frequentar um invejável círculo de escritores e intelectuais, com nomes como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade,  Clarice Lispector, Antonio Houaiss, Aurélio Buarque de Holanda, Cecília Meirelles, Augusto Meyer, Walmir Ayala, Tasso da Silveira, Thiers Martins Moreira. Pouco mais tarde, concluído o curso de Direito e ingressando na Carreira Diplomática, meu privilégio se ampliou ao conviver com figuras como João Cabral de Melo Neto, e sobretudo, com Guimarães Rosa, com quem privei até sua morte, em fins de 1967.

Em 1966, D.J. Oliveira decidiu passar uma temporada no Rio, hospedado em casa de um amigo em Copacabana. Todas as manhãs, antes de seguir para o trabalho no Itamaraty, eu passava de carro para buscá-lo e o deixava em algum sítio da cidade, armado de telas, tintas e pincéis. Ao final do dia, levava-o de volta à casa, com telas cobertas de tinta fresca a manchar irremediavelmente o banco traseiro de meu Fusquinha… E ao cabo de um mês, organizei  em meu apartamento na Praia de Botafogo um vernissage de mais de vinte desses trabalhos. Em duas noites dedicadas aos amigos, ao corpo diplomático brasileiro e estrangeiro, a escritores, poetas, artistas, gente de teatro e cinema, críticos de artes plásticas e jornalistas, a obra de D.J. Oliveira foi devidamente apresentada a um novo e numeroso público de grande significação cultural no país.

Os jornais do Rio deram ampla cobertura ao evento. Uma página inteira do “Jornal do Comércio”, assinada por Rosa Cass, tecia comentários minuciosos e encomiásticos à obra do pintor, gravador, desenhista e muralista, estampando várias fotos de seu grande mural múltiplo da Universidade Federal de Goiás. Enquanto isso, Oliveira pintava em minha casa o retrato de Marly de Oliveira e de Clarice Lispector – que já havia sido retratada por ninguém menos que De Chirico. E foi também nessa oportunidade que o Governo da Tchecoslovaquia, através de seu Conselheiro Cultural no Rio, presente à exposição, decidiu encomendar ao pintor um painel para integrar o acervo do Museu da Guerra, da cidade de Lídice, para sempre traumatizada pela indescritível brutalidade nazista durante a ocupação do país. Oliveira realizou a obra pouco depois, já em Goiânia, e a enviou ao seu destinatário final, onde até hoje se encontra, ao lado de obras de Picasso e de dezenas de outros artistas de nosso tempo. E não deixa de ser curioso observar que deste painel não tenha restado no Brasil sequer um registro fotográfico. Enfim, para quem conhece a simplicidade e a modéstia do personagem, sua total aversão à notoriedade, o descuido não chega a surpreender demais.

Para concluir este capítulo do pintor em Botafogo, uma curiosidade: acompanhando DJ naquela viagem ao Rio estava um jovem de 18 anos, discípulo que ajudava o Mestre na preparação das telas, e que já realizava seus primeiros esboços; era inteligente, de grande vivacidade e alegria, de talento notório. Seu nome dispensa hoje maiores apresentações: Siron Franco. Aliás – e é com orgulho que menciono pela primeira vez essa passagem – trinta e cinco anos mais tarde, em 2000, o próprio Siron, ao convidar-me gentilmente para posar para um retrato, evocava ainda as marcas indeléveis em sua memória e em sua alma, provocadas pela visão do quadro de De Chirico em casa de Clarice e pelo contato pessoal com figuras tão maravilhosas como Manuel Bandeira, Walmir Ayala, Antonio Houaiss ou a própria Clarice Lispector.

Viagem ao exterior

Em 1968 D.J. Oliveira viaja para a Europa, com o apoio da Universidade Católica de Goiás, enquanto eu sigo para Buenos Aires, meu primeiro Posto diplomático. Depois de quatro anos, fui removido para Genebra, de onde só retornei ao Brasil em 1974. Passamos anos sem nos ver.

Em 1973, de férias no Brasil, pude apreciar uma nova fase na pintura de Oliveira, agora menos agressiva em seus traços expressionistas, valendo-se mais do pincel que da espátula, atenuando a violência das cores. Ao ver uma exposição do artista naquele ano em Goiânia, o escritor Bernardo Elis publicou interessante artigo onde alegava que os dois anos de Europa haviam “ domesticado” um pouco a sua pintura. De fato, um artista com a sensibilidade, abertura de espírito e  curiosidade intelectual como DJ não poderia passar incólume pelos museus e galerias da Espanha, Itália, França, Alemanha e Holanda, entre outros.

Em contato com a paisagem espanhola, reavivou-se-lhe a antiga e jamais abandonada paixão pelo Quixote. Aliás, “El Caballero de la Triste Figura” e seu leal escudeiro Sancho Pança constituem um verdadeiro leitmotiv na obra do pintor, ao lado de outras figuras afins, em sua imensa solidão e em seus impulsos utópicos, como São Francisco de Assis e o nosso Antonio Conselheiro.

Os anos 70 e 80

Com meu retorno ao Brasil, retomei os contatos com Oliveira e suas paisagens agora serenas, suas mulheres “modiglianescas”, seus vasos de flores, seus casarios coloniais, seus eternos arlequins e saltimbancos, seus murais admiráveis em Goiânia, Brasília e Luziânia, seus vendedores de pipoca, suas tristes estações ferroviárias com seus trilhos solitários e, naturalmente, seus reiterados e renovados Quixotes.

Em 1974 fui procurado em Brasília pelo Frei Confaloni e a pintora Vanda Pinheiro, que pediam minha intercessão junto à área cultural do Itamaraty para viabilizar o transporte de umas poucas telas e gravuras de artistas goianos, que o Frei desejava mostrar na Itália. Meu amigo e colega – e artista plástico da melhor qualidade – Romeo Zero, que dirigia a Divisão de Difusão Cultural, encarregou-se da missão e foi bem mais longe: organizou uma exposição de seis artistas goianos em Roma, Milão e Paris. Eram tres pintores (DJ, Siron e Confaloni) e três gravadores (Vanda Pinheiro, Naura Timm e, se não me engano, Cléa Costa).

Do mesmo modo, e naqueles idos de 70, creio que em 1976, o Governo Irapuan Costa Jr., reconhecido incentivador das artes, enviou uma coletiva de pintores goianos à França, da qual constava naturalmente o nosso DJ, ao lado de Poteiro, Cléber, Siron e muitos mais.

Os anos 70 e 80 foram, aliás, de intensa atividade para Oliveira,  com inúmeras exposições individuais e retrospectivas de obras, apresentadas sobretudo em Goiânia e Brasília. Recordo-me  especialmente de uma grande exposição nos salões do Hotel Nacional de Brasília, organizada por Natanry Osório – outra admiradora e incentivadora do pintor, ao lado de seu marido, o advogado e escritor Antonio Carlos Osório – na qual se notava uma nova e surpreendente temática na obra de DJ: uma acerba crítica social traduzida em figuras grotescas de cardeais pomposos, políticos a se enforcarem em suas próprias gravatas, e conspiradores soturnos a trocar misteriosas confidências. Surpreendeu-me bastante essa nova faceta do artista, cuja obra havia sido marcada sempre por um profundo lirismo, uma atmosfera de solidão e nostalgia, uma recorrência a temas e jogos da infância. Independente de seu valor artístico, a verdade é que essa fase, que a meu ver não refletia a essência mais profunda da alma poética do pintor, não tardou muito a se esvanecer na continuação de sua trajetória. E pouco tempo depois, já o vemos de volta a seus temas preferidos, em duas novas e magníficas exposições em Brasília, na sede da IBM e, posteriormente, na Galeria Athos Bulcão, da Secretaria de Cultura do DF.

Em 1987, após quatro anos na Embaixada do Brasil em Washington (onde, aliás, apresentamos uma bela e bem sucedida exposição de Antonio Poteiro) e ocupando a Chefia da Divisão de Difusão Cultural do Itamaraty em Brasília, organizei uma coletiva de “ Pintores do Centro-Oeste”, para celebrar a visita oficial do Presidente Sarney a Angola. Eram 36 obras de 18 pintores, entre os quais estavam D.J. Oliveira, Cleber Gouvea, Roos e Cléa Costa. Depois de Luanda, a mostra seguiu para Moçambique, onde foi apresentada nas magníficas dependências do Centro de Estudos Brasileiros de Maputo.

O Anhangüera

Entre o início de 1991 e fins de 1994, voltei a ausentar-me do país, para ocupar o cargo de Cônsul-Geral do Brasil em Barcelona. Ao retornar a Brasília, adquirimos uma casa residencial recém-construída no Lago Sul e encomendamos a Oliveira a realização de um mural, tendo por tema a saga dos Bandeirantes na conquista do Centro-Oeste, especialmente a de Bartolomeu Bueno  da Silva, o Anhanguera, meu antepassado e fundador de Vila Boa de Goiás. O magnífico painel policrômico de quase 20 metros quadrados, executado em cerâmica vitrificada e queimada, foi festivamente inaugurado em 1997, ao lado de uma exposição de várias telas recentes e antigas do pintor, espalhadas pelos jardins e pela varanda da casa. Ou seja: 31 anos após aquele vernissage na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro,

voltava eu a homenagear o Artista e o Amigo com uma apresentação de sua obra em minha residência, à qual também estiveram presentes diplomatas brasileiros e estrangeiros, apreciadores das artes, jornalistas, escritores, políticos –entre os quais o então Deputado Federal Marconi Perillo – e sobretudo uma legião de amigos e admiradores do homenageado. E o belo mural continua a fazer-nos companhia, a mim e a Liana, minha mulher,  e a encantar a quantos visitam nossa casa em Brasília.

Aliás, por conta desse mural e, em parte, de minha constante pregação sobre a arte e a personalidade de D.J. Oliveira, vários amigos e colegas do Itamaraty tem visitado seu atelier em Luziânia e adquirido trabalhos seus. O Embaixador Sérgio Arruda e sua mulher Geo Alencar se destacam especialmente nesta lista de admiradores, ornando as paredes de sua residência em Brasília – como já o faziam em outros países – com uma notável coleção de telas do pintor.

Minha mais recente promoção da obra de Oliveira e de vários outros artistas plásticos goianos, eu a pude realizar no ano de 2002, no Marrocos, onde me encontrava como Embaixador do Brasil. Propusemos aos demais Embaixadores da América Latina a organização de uma mostra reunindo obras de pintores de nossos respectivos países, extraídas do acervo de cada Embaixada. E da coleção particular do Embaixador do Brasil foram expostas (por mera coincidência) obras de D.J. Oliveira, Siron Franco, Antônio Poteiro, Cléa Costa, Célio Braga e Cléber Gouvea.

A Obra, o Homem e o Professor

Concluindo essas reminiscências dispersas mas sempre presentes  em minha memória sentimental, que me levaram a recuar décadas no tempo, constato uma vez mais a profunda admiração que sinto pela obra, pelo homem e pelo mestre Dirso José de Oliveira.

Obra desenvolvida em diferentes fases, em estilos vários e vários temas, mas sempre tocada de um lirismo sóbrio, de um íntimo contato com a paisagem, a vida e o povo de sua terra de adoção, de um eterno retorno ao seu amado Quixote – quase um alter-ego do artista. Homem de tocante sensibilidade, generoso, devotado aos amigos e discípulos, modesto, comedido, sóbrio e íntegro. E mais que Professor, um disseminador de idéias, um incentivador de talentos, o grande responsável pela multiplicação e propagação de tantos artistas plásticos que o Estado de Goiás tem tido o privilégio de reunir nas últimas décadas e, com justo orgulho, oferecer ao Brasil.

Brasília, junho de 2005

Notícia do mural na imprensa de Brasília

DJ E SEU AUTO-RETRATO

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12 Comentários

Arquivado em ARTES PLÁSTICAS

12 Respostas para “ARTES PLÁSTICAS : DJ OLIVEIRA

  1. Geo Alencar Arruda

    Confesso-me emocionada com a leitura dessa homenagem a DJ. Era assim que eu o chamava. Além de ter sido meu amigo e professor por muito anos, também o considero uma pérola de Goiás, de São Paulo, do Brasil. Uma figura tão admirável quanto modesta, me brindou com os melhores anos de minha vida, sempre me incenitvando a misturar as tintas e com elas manchar as telas. Minha admiração, amizade e gratidão por DJ me alimentam a alma. Sinto enormes saudades do mais genuino Quixote brasileiro.
    Temos mais de vinte obras de DJ. Podemos admirá-las diariamente, o que fazemos com enorme prazer. São suas pinturas as primeiras a povoar nossa casa em qualquer lugar do mundo onde vivemos.
    De DJ temos belíssimas telas de quase todas as suas fases, incluindo Quixotes. Um dos quais, belíssimo, é o favorito de nosso filho, Lucas, que dele tomou posse para enfeitar uma parede do seu quarto.
    Lauro querido, gratíssima por nos ter apresentado e nos ter aproximado de DJ Oliveira e pelos seus belos escritos sobre ele. Eu irei ao Brasil para ver a exposição de agosto.

    • Geo, minha querida, você e o Sérgio estão naturalmente entre as pessoas que melhor podem falar sobre o nosso saudoso DJ. Essa prerrogativa lhes é dada pela profunda amizade que os unia, ao lado da admiração e do respeito que nutriam por sua grande obra. Fico feliz por vê-la comovida e companheira nessa homenagem mais que justa que pretendemos prestar à memória de nosso amigo comum.

  2. Com certeza será um evento lindo, obrigada pela admiração. Grande abraço, neta.

    • Geo Alencar Arruda

      Estarei no Brasil na segunda semana de setembro e gostaria de saber até quando ficarão expostas as belas obras do meu grande mestre e queridíssimo amigo D.J. Adoraria visitar a exposição.
      Lauro, querido, caso não cosniga alcançar a mostra, gostaria muito, muito mesmo, de ler seus comentários, sempre belos e oportunos.
      Geo

      • Geo, minha querida, a inauguração do mural e da exposição do DJ aqui em Goiânia (onde me encontro agora) está marcada para o dia 13 de setembro. Portanto, acho que você poderá estar presente nesse dia de abertura, certo? Estou lhe respondendo via quincasblog, onde postei ontem uma matéria nova. Quero seus comentários! Bjs

    • Obrigado, Ludmilla. Tenho certeza de que serå algo digno de seu avô. Vamos nos ver por lá. Abraço afetuoso.

  3. Francisco de Assis Silva

    Querido Senhor, é uma honra imensa poder falar contigo e expôr exatamente o que eu estou sentido agora, vou ser breve até pq não sou muito letrado, e minhas palavras se perdem, confesso que estou emocionado, com sua prova de amizade e é por isso que eu te escrevo, estive em Luziânia -GO, resido em Brasilia, eu sou um fã, um admirador, um sentimentalista da Obra do nosso querido DJ Oliveira, não o conhecí, mas ainda posso vê-lo em suas pinturas, e nessa minha ida a Luziânia encontrei a sua casa toda arrombada, e vários pertences seus jogados ao chão, ao léu, emaranhados e pó, e insetos, e excrementos de insetos e seres humanos, uma vez que sua residência fora invadida por …..me perdoe mas não posso julgar ninguém, simplesmente está abandonada, e ainda com muito de seus livros e objetos pessoais, inclusive o seu tripé, ainda intacto, vivo, esperando alguém que assim como eu e você o protegesse..
    Pelo amor de DEUS, se encontrares ou conheceres alguém da familia, soube que tem uma filha por nome Valéria, mas não consigo encontrá-la, que protegesse a sua memória, ou me autorizasse a protegê-la. ainda dá tempo, se formos bastante rápidos, me mande um email. por favor., me responda.Tentei falr com a Prefeitura de Luziania, tbm não consegui.

    • Prezado Senhor Francisco,

      Sua denúncia deixou-me muito chocado, como pode imaginar. Moro hoje em Ribeirão Preto e não tenho infelizmente as coordenadas da Valéria, em Goiânia, mas como se pode ver, um dos comentários deste blog está assinado por Ludmilla Cardoso, neta do nosso querido DJ Oliveira. Acabo de fazer um e-mail para ela e para a Embaixatriz Geo Alencar (que vive atualmente em Brasília e foi também grande amiga do DJ), retransmitindo a sua denúncia. Espero que se possa fazer alguma coisa para acabar com essa situação mais que lamentável.
      Obrigado.
      Lauro Moreira

  4. Guilherme

    Tenho uma obra de DJ OLIVEIRA, BEM ANTIGA. Se alguém souber como faço para saber da história do quadroou até mesmo o valor da mesma entre em contato pelo rural.laboratorio@hotmail.com

  5. eu gostei mauito por que eu so fala a verdade e eu esto de arte lindo

  6. NÍVIA

    É TRISTE VER A HISTÓRIA SER CONSUMIDA PELA IGNORÂNCIA!

    • Geo Alencar Arruda

      Que bela notícia, a da exposição. Adoraria compartilhar momento tão importante para ver/rever parte da belíssima criação do saudoso DJ Oliveira. Parabéns !!!

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