Machado de Assis

 O texto abaixo foi escrito e publicado em Portugal – e destinado sobretudo a leitores portugueses – para servir de introdução a uma coletânea de ensaios e palestras de respeitados especialistas sobre a obra machadiana, reunidos em um Colóquio organizado em 2008 pela Missão do Brasil junto à CPLP, então sob minha chefia, em parceria com a  Fundação C.Gulbenkian e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

                                        CEM ANOS COM MACHADO DE ASSIS

                                                              Lauro Moreira

  “Esta a glória que fica, eleva, honra e consola”.

                                                                                 

    Algumas confidências irrelevantes  

O Professor Alceu de Amoroso Lima, ou seja, o grande  crítico brasileiro Tristão de Athaíde, costumava dizer que, de certo modo,  José de Alencar era o escritor da juventude e Machado de Assis o da maturidade. Queria dizer com isso que o primeiro, com suas novelas repletas de aventuras, cobrindo todos os rincões da terra brasileira recém-libertada, debruçando-se no indianismo (“O Guarani”, “Iracema”, “Ubirajara”), no regionalismo (“O Gaúcho”, “O Sertanejo”), no romance urbano com preocupações psicológicas (“A Pata da Gazela”, “Senhora”, “Diva”, “Lucíola”), atraía mais os jovens, enquanto Machado, em seu permanente debruçar sobre a alma humana, fosse ela brasileira ou não, exigia de seus leitores um maior nível de maturidade.

Embora concordando em linhas gerais com o Mestre, e talvez até mesmo para confirmar a regra, a verdade é que minha experiência pessoal foi a mais completa negação de sua tese: apaixonei-me pela obra machadiana – e o verbo não tem como ser outro –  quando mal completara os quinze anos de idade. Recém-matriculado no Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro, para seguir o que naqueles idos se chamava de Curso Clássico, integrei-me logo a um grupo de alunos que se mostravam dispostos a fundar uma Academia de Letras do colégio, instituição que prosperou e que tive a sorte de presidir por quase três anos. Mas no momento inicial da escolha do patrono de cada futuro acadêmico, quando eu já estava pronto para escolher o meu escritor então preferido – José de Alencar… – eis que um colega o faz antes de mim. Não me coube outra opção senão escolher… Machado de Assis, autor que apenas havia lido em alguns poucos textos  de antologias escolares e cujos traços biográficos conhecia muito por alto.

Para disputar a presidência da ALSI (Academia de Letras do Santo Inácio), que acabou contando com vários colegas que mais tarde muito se distinguiram em áreas diversas, como o cineasta Carlos Diegues e o hoje onipresente cineasta e jornalista Arnaldo Jabor, tive que preparar uma comunicação sobre uma obra de meu patrono. Escolhi “Dom Casmurro”. Foi um choque para mim: sentia-me diante de algo completamente novo. E apaixonei-me por Machado de Assis. Por seu estilo enxuto, avesso aos arroubos sintomáticos da escola romântica, por suas entrelinhas, seu humor fino, e até por seu desencanto filosófico, tão desconcertante para um jovem de quinze anos.

A partir de então, e lá se vão décadas, Machado passou a ser minha companhia constante, querida, admirada, estudada, lida nos momentos de alegria e de aflição, fonte inesgotável de prazer estético e intelectual. Tudo nele me atrai – até mesmo sua quase insípida trajetória biográfica – e cada vez mais, com o passar dos anos, como se fôra um ente da família, um velho tio-avô íntimo, culto, inteligente, irônico, divertido e muito querido. Muito mais isso, com todo respeito, que o famoso “Bruxo do Cosme Velho”.

Comemorações

Lembra-me bem quando, em 1958, o Brasil comemorava o Cinquentenário da morte de Machado de Assis. O país vivia uma fase eufórica, embalado pelo otimismo contagiante do Presidente Juscelino Kubitscheck e pela crescente confiança em seu destino. Foi a época da interiorização do progresso, com a multiplicação de rodovias a cortar o território até então abandonado, a criação de um parque industrial moderno num país apenas agrícola, a elevação do potencial energético através da criação de hidrelétricas de grande porte, a construção de Brasília, sonho secular sempre acalentado e jamais concretizado, e que em pouco tempo se transformaria no mais importante pólo de desenvolvimento do país. E tudo isso, em ritmo acelerado, em “ritmo de Brasília”, como então se dizia.

Esse dinamismo alcançava também outras áreas, como a dos esportes, com o país sagrando-se pela primeira vez vencedor de disputas internacionais importantes (campeão do mundo em futebol, basket, tênis, box, etc.). Surge a Bossa Nova, conferindo um passaporte definitivo à música popular brasileira, que a partir de então inicia seu vitorioso périplo internacional. Aparece e se desenvolve o Cinema Novo, Glauber Rocha à frente. Guimarães Rosa explode em 1956, com a publicação simultânea de “Corpo de Baile” e “Grande Sertão: Veredas”, enquanto Clarice Lispector, pouco mais tarde, confirmava seu imenso talento e originalidade com “Laços de Família e “A Maçã no Escuro”. Multiplicam-se os nomes de importância nas artes plásticas. Na poesia surgem o Concretismo e o Movimento Praxis; no teatro, sucedem-se as peças, os autores e as companhias de notável qualidade… Tudo isso concentrado em um curto período, ecoando o mote do Governo JK: 50 Anos em 5.

Foi nesse Brasil vibrante de minha adolescência que vivi pessoalmente vários dos inúmeros eventos comemorativos dos cinquenta anos da morte de Machado de Assis, tido desde então como o maior escritor brasileiro, e a quem eu já dedicava, como mencionado, a admiração irrestrita que, ao longo de meio século, não fez senão aprofundar.

Tenho agora em mãos o volume “Machado de Assis”, pioneiro estudo crítico e biográfico de Lúcia Miguel Pereira, publicado originalmente em 1939, por ocasião do centenário de nascimento do homenageado, e ainda hoje considerada obra de referência fundamental na bibliografia machadiana. Em sua página de rosto, releio com a emoção de sempre a dedicatória que a respeitada intelectual brasileira assinou para o jovem estudante que acabava de assistir à sua inesquecível conferência sobre o criador de Capitu, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro: “É com o maior prazer que assino este livro do machadiano Lauro Moreira. Lúcia Miguel Pereira. Rio, setembro de 1958”.

Pano rápido. Lisboa, 2008. Em grande gala para a Lusofonia – e não apenas para o Brasil – aqui estamos todos procurando rememorar, comemorar e celebrar a obra do genial autor de “D. Casmurro”. Só de parte da Missão do Brasil junto à CPLP, conseguimos realizar  uma longa série de eventos, incluindo ciclos de palestras, exibição de filmes documentários sobre a vida e a obra do autor, filmes de ficção extraídos de seus livros, e até uma peça teatral (“Tu, só tu puro amor”) escrita por Machado, em 1880, para as comemorações   do tricentenário  de Camões, encenada por uma companhia de jovens atores do Centro Cultural  Malaposta.

Culminando essa ambiciosa programação, a Missão do Brasil junto à CPLP, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou nos dias 29 (data exata do Centenário) e 30 de setembro, um importante Colóquio, com a participação de figuras ilustres do universo lusófono e não-lusófono especializadas na obra machadiana.

Além dessas iniciativas, várias outras foram organizadas por Universidades, com destaque para o Seminário da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Centros Culturais, editoras, livrarias, etc., com vista a ampliar e aprofundar a presença de Machado de Assis em Portugal, onde até então permanecia inexplicavelmente bastante desconhecido do público em geral. Felizmente, não foram vãos os esforços de tantos brasileiros e portugueses, e hoje, menos de um ano decorrido daqueles eventos, que lograram uma grande exposição na media local, pode-se afirmar que a obra de Machado de Assis está muito mais presente junto ao público de Portugal, inclusive através de várias novas edições que tem sido desde então lançadas. O objetivo foi alcançado, como se poderá verificar pela minuciosa resenha apresentada nesta coletânea pela Professora Vânia Chaves.

Um pouco do Homem e da Obra

Muito se tem escrito sobre Machado de Assis, no Brasil e no exterior. Dos pioneiros José Veríssimo, Alfredo Pujol, Astrogildo Pereira, Eugênio Gomes e Lúcia Miguel Pereira, passando por Augusto Meyer, R. Faoro, Roberto Schwarcz, e chegando aos estudos recentes de Sérgio Rouanet, Alfredo Bosi, Daniel Piza, para citar apenas alguns, a bibliografia machadiana inclui centenas de livros e milhares de ensaios e estudos avulsos. A atualidade de Machado está presente na crescente universalidade de sua obra, cada vez mais lida e estudada também em países não lusófonos. Helen Caldwell, Susan Sontag e Harold Bloom nos Estados Unidos, John Gledson na Inglaterra, Carlos Fuentes e Jorge Edwards no universo hispano-americano, são nomes que muito tem contribuído para o maior conhecimento dessa obra no mundo ocidental.

Na sua já citada biografia, Lúcia Miguel Pereira abre o segundo capítulo com a seguinte observação: “Não suspeitava Dona Maria José de Mendonça Barroso, viúva de Bento Barroso Pereira, senador, oficial general do exército, ministro duas vezes, de D. Pedro I e da Regência trina, que seu nome só passaria à posteridade por haver, em 13 de novembro de 1839, consentido em ser madrinha de uma criança nascida a 21 de junho desse mesmo ano, numa casinhola vizinha da sua chácara. Era o primeiro filho de Francisco José de Assis e Maria Leopoldina Machado de Assis, ele mulato e pintor, nascido já de pardos forros, ela portuguesa, ilhoa, e, segundo a tradição, lavadeira. Gente humilde, mas organizada, legitimamente casada, benquista no morro do Livramento, onde morava.”

Aos seis anos, essa criança perde sua única irmã, e aos nove, morre-lhe a mãe, pouco depois substituída pela madrasta, Maria Inês, doceira de profissão, e que o ajudaria a criar, já que o pai vem a falecer poucos anos depois desse segundo casamento. Ou seja: pobre e mulato numa sociedade escravista (a abolição da escravatura só chegaria cinquenta anos depois de seu nascimento), além de tímido, gago, epiléptico e de saúde frágil, não deixa de ser espantoso o caminho percorrido por este gênio brasileiro, sobretudo quando se pensa nessas incríveis adversidades que teve de arrostar. Aquinhoado com um talento imenso, isso sim, despido de vaidade e desprovido de apego aos ouropéis  e glórias mundanas, Machado de Assis foi também homem de enorme dignidade e força moral.

Sua infância e pré-adolescência continuam envoltas na penumbra, como se ele mesmo fosse aos poucos apagando suas pegadas iniciais. Sabe-se apenas que frequentou a escola por um curto período e que desde cedo demonstrara uma pronunciada curiosidade intelectual. Aos 16 anos se emprega na Imprensa Nacional e pouco depois na Tipografia de seu amigo e protetor Paula Brito. Leitor voraz, frequentador assíduo da Biblioteca Nacional e do Real Gabinete Português de Leitura, sua primeira publicação literária, um soneto, data de 1854, ou seja, quando completara 15 anos. A partir daí, dá início a uma longa caminhada literária de meio século, só interrompida por sua morte em 1908, ano em que publica ainda sua última obra, o romance “Memorial de Aires”. Paralelamente, Joaquim Maria Machado de Assis desenvolve uma carreira burocrática exemplar, como funcionário do Ministério de Viação e Obras Públicas, onde alcança finalmente o cargo máximo de Diretor Geral.

Poeta, jornalista, cronista, teatrólogo, crítico literário e musical, contista e romancista, Machado viveu intensamente a vida do Rio de Janeiro do II Império, refletindo-a ao longo de sua obra. Embora atravessando o período do Romantismo e depois do Realismo e Naturalismo no país, jamais se escravizou a qualquer escola estética ou filosófica, conservando desde seus primeiros livros uma contenção de linguagem e uma sobriedade de estilo que o tornavam sem dúvida distinto de seus contemporâneos nacionais.

É evidente que sua obra acusa uma linha evolutiva clara, ou seja, “Ressurreição”, seu primeiro romance (1864) tem certamente pouco a ver com “D. Casmurro” (1899), mas não se pode ignorar que certos traços marcantes deste último já estão, embrionários, no primeiro: a sobriedade, o humor, a elegância de estilo, a propensão à análise de costumes e, sobretudo, a análise psicológica dos personagens, marca indelével de toda sua obra. Aliás, ele mesmo confessa, a certa altura:”É a minha preocupação exclusiva do homem que toma todo o papel nos meus escritos”. E Coelho Neto observa a propósito dessa ausência de “quadros naturais”, que “a casa de Machado de Assis não tem quintal”…

Gosto de dizer que Machado foi o escritor do substantivo, em todos os sentidos, o que explicaria a sua permanente atualidade e o interesse crescente que vem despertando em leitores de todas as latitudes. Talvez nenhum autor em língua portuguesa daquela ou de qualquer outra época se tenha debruçado tanto, e com tanta sensibilidade e perspicácia, sobre a alma humana e seus mistérios insondáveis, especialmente a alma feminina. A despeito no entanto dessa aparente ausência de “cor local”, a obra ficcional de Machado de Assis retrata fielmente a vida carioca e brasileira do século dezenove. Em um sempre lembrado ensaio crítico intitulado “Instinto de Nacionalidade”, dizia ele: “O que se deve exigir do escritor, antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço”. E lembrava que as obras mais famosas de Shakespeare não se passam na Inglaterra, embora seja ele “além de um gênio universal, um poeta essencialmente inglês”.

A chamada primeira fase da ficção machadiana inclui quatro romances (“Ressurreição”, “A Mão e a Luva”, “Helena” e “Iaiá Garcia”), além de grande número de contos, gênero no qual não encontra seguramente paralelo em língua portuguesa, e do qual se serviu como “laboratório fecundo de suas experimentações”, na opinião de Afrânio Coutinho. Com essa copiosa obra, enriquecida pela poesia, pelo teatro e pelas crónicas quase diárias publicadas nos vários jornais e folhetins locais, bem antes de completar 40 anos Machado de Assis já era considerado a grande figura da literatura brasileira, ao lado de seu amigo José de Alencar, a quem sempre admirou.

A fase do grande Machado de Assis, entretanto – do Machado credor maior do justo preito que hoje o Brasil e o mundo lhe prestam – inaugura-se com a publicação em 1881 de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, sua obra mais surpreendente, revolucionária e inovadora. Desconcertante desde a primeira página, com a famosa dedicatória “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”, o livro foi escrito não por um “autor defunto, mas por um defunto autor, para quem a campa foi outro berço”, e com a “pena da galhofa e a tinta da melancolia”. Ironia, mordacidade, ceticismo, pessimismo e total descrença no ser humano se aguçam através de um estilo igualmente desconcertante e uma estética revolucionária, embora aparentada com autores como Swift, Sterne, Xavier de Maistre e o próprio Garrett. Trata-se na verdade de um ousado rompimento com as técnicas e a filosofia do romance tradicional. E surpreende ainda hoje essa ruptura súbita e abrupta no interior da própria obra, já que apenas dois anos antes havia ele publicado “Iaiá Garcia”, o último livro de sua fase anterior, que dificilmente prenunciava o que viria logo a seguir.

A partir de então, vão surgindo os outros romances que o consagrariam definitivamente: “Quincas Borba” (1891), com sua filosofia do Humanitismo, divertida paródia do Positivismo de Auguste Comte; “D. Casmurro”(1899), universo dominado por Capitu e seus olhos de cigana oblíqua e dissimulada; “Esaú e Jacó” (1904), onde a “inexplicável Flora” personifica a dúvida e a indecisão, traços sempre constantes na inesgotável galeria machadiana de personagens femininas. E em meio aos romances, Machado vai tecendo seus contos inumeráveis (escreveu mais de duzentos), dezenas dos quais dignos de qualquer antologia universal, como lembra um de seus grandes estudiosos, o Professor John Gledson. Finalmente, em 1908, doente, alquebrado, quase cego, e desamparado pela morte quatro anos antes de sua adorada Carolina, companheira de toda a vida, ele ainda encontra forças para compor e ver publicado seu “Memorial de Aires”, obra crepuscular, de resignação, em que evoca com saudade a figura da esposa, retratada na meiga D. Carmo.

Coincidindo com essa segunda fase, inaugurada com “Brás Cubas”, também o Brasil passa por mudanças radicais, com a Abolição da Escravatura (88), o advento da República (89) e a Revolta de Canudos (95). Ao mesmo tempo, o Rio de Janeiro ia aos poucos se transformando com a chegada do progresso, representado pela energia elétrica, a siderurgia, o telégrafo, o bonde elétrico, e uma profunda renovação urbana – tudo retratado pela inteligência e humor de seu mais atento cronista.

Machado de Assis e Portugal

Uma nota final: Machado de Assis foi – genética, cultural e afetivamente – muito próximo e identificado com Portugal. Sua mãe, como vimos, era açoriana, de São Miguel; a mulher de sua vida, Carolina Xavier de Novais, com quem compôs o mais harmonioso casal ao longo de 35 anos, até a morte desta em 1904, quando lhe dedicou um dos mais belos sonetos da língua (“A Carolina”), nascera no Porto, e, finalmente, seu conhecimento e admiração por Camões, Garrett, Herculano e Eça de Queiroz, entre outros, estão refletidos em cada passo de sua obra. Até a famosa polêmica em torno de sua honesta e severa crítica ao “Primo Basílio”, tão comentada e magnificada pelos pósteros, não passou de uma tempestade em copo d’água, restando apenas a admiração recíproca que os dois grandes romancistas mantiveram até o final da vida.

Machado de Assis, o gênio brasileiro, o fundador e primeiro Presidente da Academia Brasileira de Letras até a morte, foi e será sempre um clássico absoluto da Língua de Camões.

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